sábado, 29 de setembro de 2007

Valor da vida

Vivemos em função das horas, dos dias, dos meses... Sempre em busca das respostas: do que não fazemos, do que não conquistamos, porque não beijamos, não lutamos ou não ganhamos...
Esquecemos dos instantes em que sorrimos, em que vivemos uma intensa paixão, em que somos completamente felizes.
Se pararmos de viver os dias vindouros e passarmos a construir o presente, o momento em si com afinco, teremos em nossas mãos o poder da escolha, se em sermos uma simples paisagem inanimada ou voarmos como um pássaro.
Ao invés de pensar em quantos anos temos, vamos pensar em quantos amigos conquistamos, quantos abraços já nos foram acolhidos e estendidos em nossa direção, quantos sorrisos foram conquistados pelo que somos e não pelo que temos, quantas paixões ou aquele amor vivido que nos remete a lembrar freqüentemente.
As escolhas estão em nossas mãos, a escolha é uma valorização da riqueza que a vida pode oferecer.
São realmente os momentos vividos intensamente que escrevem a história de nossas vidas.
Ame de mais e faça com que seu dia seja lembrado como um presente concedido pela divina permissão de Deus.

Do nascimento ao eterno descanso.

No início foi um susto,
O inverso aconteceu.
Fomos inexplicavelmente expulsos.
Expelidos
Partidos e repartidos
Do aconchegante e familiar,
Ao barulhento e conturbado novo lar.

Ah! Que mundo imundo.

Não há razão para gritar.
Mas gritamos.

O incompreensível é a realidade.
Dos joelhos aos passos foi um passo,
E de passo em passo
A primavera da vida se passou.

Despontou-se no horizonte o Sol
É a alegria do verão.
Aparecem as mudanças climáticas.

Uma gota cai do céu, mais uma, e outra.
Muitas!
A inundação apavora, desespera, destrói...
O Sol desaparece rapidamente.
As nuvens dominam o ambiente.
Dando lugar ao cinzento céu.

Já é outono!

Se confunde com o forte frio do inverno.

Só há esperança!

"Como eram intensos aqueles raios de sol".
A noite se aproxima rapidamente.
O frio aumenta e com ele o tremor.

Perdem-se as lembranças.
"Ricas lembranças das águas", e findam-se as marcas,
Pois a primavera não voltará.

09/05/2005 às 04h00

Quando a chuva cai

A chuva que cai lá fora,
Que molha as mágoas de quem já andou um dia
Na segurança da certeza de uma luz
Que iluminava seu viver.

Vida, linda e bem vinda vida que se finda
Na mais íntima melodia
De gotas, das gotas que caem no solo,
No chão avermelhado, formando barro,
Quem sabe a criação de um dia, da sua existência,
Isso se fez necessário.

Oh! Lua que não apareceu hoje,
A chuva a levou para bem longe.
Não tenho o reflexo da sua luz nas águas que ficaram no chão,
Tampouco um Sol, este que um dia brilhou na vida
De uma pobre criatura.

- Imagem e insegurança de um presente-ausente.

Luz e sons, luz que se foi, sons que permaneceram
Na rotina do gotejo de uma água que não é da chuva.
Gota a gota e não se esgota,
E não se importa com as mágoas,
Nem tampouco das mágoas do menino
Com a imagem bi-partida, que reluzia
A um homem, de uma pessoa que queria apenas
Uma resposta, um sentido, apenas a segurança.

sábado, 22 de setembro de 2007

Sabedoria

O saber – Manifesto da indignação

Saber ?
Essa deveria ser a pergunta habitual; no entanto, perguntas sobre novelas, filmes, desenhos, esportes, vem com tanta freqüência que não exigem uma maior reflexão sobre o assunto, pois são entregues com as velhas singularidades.
Abdicam-nos da condição especial da raça humana:

O pensar.

Não há uma procura sobre o saber, sobre o pensar.
Descartes? perdeu-se no tempo, logo não existe.

Nos livros.
Nas revistas.
Nas bibliotecas.
Nos museus.
Nos teatros.

A busca sobre o quê e para quê caiu em desuso.
Com a desculpa da rapidez e eficácia, fomos engolidos pelo mau hábito do simplório cotidiano.

E isso é normal!

Sendo aceito pela sociedade que torna-se cada vez mais caótica e desfavorecida intelectualmente.
A busca pelo saber, conduzidos pela introspecção individual, característica
do homem, cede lugar à subjetividade colhida na árvore do ateísmo do saber.
O indivíduo é incapaz de subverter tal subjetividade imposta imperiosamente pelo sistema.

Porque ele será ridicularizado pelos que pensam que o poder encontra-se em prerrogativas abstratas de dominação arcaica.
Não consegue livrar-se dos preconceitos interno-reflexivos, que subjugam a moral propriamente dita, escorraçando a liberdade do pensamento e de expressão.
O indivíduo já sabe o que dizer, o que rezar, no que acreditar.
Viver já é supérfluo. Produzir é necessário.
Avançamos? Grande coisa! Nada mudou!

Viver é preciso!
Conhecer também.
Quero viver conhecendo!
O pensamento abre as portas do consciente, do concreto, do móvel, da razão, e por esta razão, condiciona ao empirismo do saber e entender.

Funestos e nefastos (tanto faz) vagabundos sejam os homens! Maldita seja a raça humana.com. Nada somos, nada sabemos, nada morremos! Precisamos aprender a morrer sem um fim! Que a morte não se dê quando em vida, mas sim de maneira natural, assim como era, como foi, ou pelo menos como imaginávamos sê-la.

Sejamos sábios e concisos com os nossos entendimentos.

Enquanto durar

Fui pelo impulso.
Levado pelos devaneios dos sentidos.
Pés, mãos, olhos...
Mãos.
Estas que foram de encontro àquele que parecia um inanimado aparelho telefônico.
Os números foram teclados, um a um, um toque, dois, quatro, de repente...
- Alo!
- Alo.
Resposta de uma pessoa muito especial, “severamente” especial.
Os assuntos são desenrolados naturalmente.
A administração tornou-se o predileto.
Grande conteúdo foi extraído da severidade pertencente d’aquela experiência.
Em dado momento, tomou conta o silêncio e bem no fundo uma conversa, quase nítida, então ouço algo...
Outro alo.
- Alo!
- Alo.
Era ela.
Aquela voz, doce e linda e fascinante voz.
Sou levado pelos verbos na sua infinita conjugação.
O eu, é conjugado.
Eu sou com-julgado.
Vou sendo mansamente guiado pelas torrentes dos meus pensamentos, oscilando entre o abismo triunfante e a glória miserável.
O encanto é desencadeado pelos meus suspiros, sou guiado, transposto, transpassado.
Vou me esquecendo de esquecer.
Torno-me cativo da memória, minhas lembranças, do desejo imensurável de concretizar a realização de uma imagem bipartida.
Homogeneizá-la.
Uni-la.
Solidificá-la.



20:25h Celso Oliveira.

Condição de ser

A insegurança me seguiu desde o amanhecer de mais um Domingo, porém, este de uma maneira especial.
Com o abrir dos olhos, me veio àquela duradoura imagem, insistentemente duradoura.
Percorre os lentos segundos que antecedem o momento do reencontro, vou me remoendo por inteiro, por dentro, não consigo não pensar.
Não pensar NELA.
Vou dando seguimento ao rotineiro dia de Domingo, só que agora acompanhado pela inseparável lembrança, de como éramos, qual a forma que conversávamos e, até viajando nas prerrogativas de um possível futuro.
O fim da tarde se aproxima, trazendo consigo o momento de revê-la.
Chega o fim de mais um dia de trabalho e inicia a caminhada que antes me era tão habitual, mas que nesse momento me trazia a mais sólida incerteza, são passos curtos, um após o outro, que somados deram todo o percurso, me aproximo, levanto a mão direita e com o indicador aperto o botão daquele novo aparelho de interfone, somente este aparelho que me era de diferente; o portão é aberto, sou recepcionado como um ilustre convidado, sou saudado com abraços e sorrisos pela amada experiência materna.
Vou adentrando pelo portão, pela porta e sou convidado a me sentar.
Olho ao meu redor; parece estar tudo em normalidade, mas ainda não a encontro. É desenrolada mais uma conversa comum com a famosa “ severidade” existente naquele lar.
Não percebo a hora que se passa, uma hora exata, quando aponta no portão, com passos lentos, repetindo o que outrora fiz, semelhança que em certos pontos nos aproxima até demais, um olhar, meu coração dispara, minhas mãos suam, sem contar o tremor, levanto-me e a cumprimento, um beijo no rosto, sete meses sem vê-la, sem tocá-la, sem beijá-la, mesmo que no rosto.
Começamos um assunto só com perguntas e nada de respostas.
Demorou alguns instantes e fomos para um outro lugar, vou caminhando pelo corredor.
Fomos caminhando.
Nessa hora que se passa, não entramos em nenhum assunto que se relacionasse a nós dois.
Foi quando realmente iniciamos uma longa e interminável, não sei se foi uma conversa ou um monólogo.
Fui guiado pelo “instinto” dos sentidos, fui puro sentimento.
Coração.
Coragem e estupidez se confundiam no desabafar de minhas palavras, e ela só ouvidos, docilmente me ouvia, vez por outra me interrompia para dar sua opinião.
Eu a via cada vez mais em minha vida, mas... NÃO podia achar respostas nela.
Conversamos, conversamos muito, mas parece que não foi o necessário, nem pelo muito falar consegui me expressar.
Sonhos, desejos, impulsos, pulsos e num piscar de olhos, restava-me somente as velhas e inseparáveis lembranças, no banco do ônibus, cada vez mais me distanciando fisicamente, “fisicamente”.
Fisicamente da linda e bela imagem bipartida.



17/03/2005 Celso Oliveira

Nada é fácil

Num primeiro olhar, não foi fácil compreendê-la, tampouco me aproximar de você.
Não a conhecia, nunca tínhamos conversado, seu ar de superioridade, seriedade, concisa, “típico de sua personalidade”, firme no falar com os outros, presenciava tudo à distância.
Num determinado momento fomos nos aproximando, um sorriso de minha parte e... Raramente o seu fui aos poucos me acostumando com seu jeito que às vezes era ríspido até demais, mas, me acostumei.
Fui percebendo que toda aquela maneira de se portar era decorrente de uma história de vida, com muitas aventuras, muitas lágrimas derramadas e até mesmo por lembranças que vez por outra lhe apareciam, fixando-a no passado e não a deixando produzir novas lembranças, parecia-me que a asfixiava.
Via que seu sorriso era muito custoso de extrair, mas quando conseguia, parecia-me fascinante, verdadeiro, como se risse o último sorrir de sua existência.
Seu olhar, esse olhar, tinha o poder de paralisar qualquer “presa”, mas, que havia momentos de muita distração, olhares para o vazio, infinitamente distante, parecia que procurando algo, respostas para sua vida, seu caminho a seguir.
O que estou fazendo aqui? E para quê tudo isso?
Talvez fossem umas das incógnitas no seu olhar.
Talvez.
Talvez as minhas também., não sei.
Fomos nos comunicando, papos rolando, na sala de aula, na biblioteca ou por telefone.
Telefone, este muito interessante por um simples detalhe, parecia que eu sabia quando estava dormindo e sempre ligava na hora de seu repouso de sono, e me perguntava:
Será que só ligo quando ela está dormindo?
E no meu primeiro alô, você despencava dezenas de palavras e perguntas sobre o motivo da ligação, o seu desabafo demorava alguns segundos, eu no meu infinito silêncio, te escutava, acho que sempre gostei de te escutar, confesso: até que é legal, eu gosto, me divirto com tudo isso, pois sei que lá no fundo há uma pessoa muito meiga, “apesar de estar fechada para novas experiências”, fico à te escutar.
Como diz uma música da L.U;
“Já me acostumei com a tua voz, com teu jeito e teu olhar”.
Fiquei apenas no me acostumar.

Levado pelas minhas insondáveis lembranças

“Me perdi”, foram talvez as palavras que mais me marcou num poema que li de Willian Alvarenga Ferreira, poeta ilustre e enigmático da Faculdade FIEO, dizia ser um soneto, não vou discutir a questão estrutural, pois ele mesmo relatou que era um “novo soneto”, porém, foi de tamanha a sensibilidade sobre o assunto abordado por este, que surge como um dos grandes poetas emergentes dum movimento literário a princípio, mas que COMPORÁ aos outros gomos da extensa camada artística do nosso imenso Brasil.
A minha busca por um tal de norte magnético, me traduz na mais singela criatura, em que tudo o que escuto e vejo, faz-me sentir a presença-ausente da tão formosa pessoa que se foi, que outrora já havia me acostumado a ver, como era lindo o brilho em seu olhar, que se foi tão rápido, nunca mais eu o encontrei, busquei por várias vezes, mas sem nenhum vestígio, tudo ficou nas minhas ricas lembranças.
As músicas tomaram outros sentidos, e mesmo os contos ou poemas lidos me transmitem agora uma falta da velha expressão que de costume me recordo, da linda expressão de seu sorriso de mulher. Se tudo fiz brotar, nem de tudo pude desfrutar, meu coração é realmente a única testemunha de que eu sou eu mesmo.
Os orvalhos representam a vastidão do meu vazio.
A minha menina não existe mais.



Celso Oliveira

26/07/05

Uma leitura de Romeu e Julieta

De hábito, estava eu naquele mesmo horário, realizando o mesmo trajeto de sempre - Eu dentro do coletivo do Himalaia viação Osasco - Em mais uma leitura de Shakespeare, Julieta era a personagem em pauta.
Momento que, em meio ao som costumeiro das buzinas e arranques dos veículos, lá bem distante uma imagem se aproximava, a princípio sem traços, que se misturava entre as pessoas, mas aos poucos fora se desvendando.
Seus olhos, cabelos e lábios eram visíveis agora.
Seu rosto por completo me foi mostrado.
Mas que em súbito movimento, a imagem levanta seu braço direito, e com ele erguido, segue-se alguns segundos, imagem inerte, fixada no tempo que naquele instante se tornara relativo.
Seu rosto, que de beleza inigualável, sofreu o impacto, fora transtornado, juntamente com seus sonhos que foram adiados, modificou-se por completo, num único momento, beleza e espanto se misturam, aglutinaram-se numa só pessoa, seus traços delicados são transformados em linhas grossas decorrentes de sua expressão.
Gradativamente a imagem se vai, distanciando-se novamente de mim.
Julieta que era minha leitura, distanciou-se de vez do personagem Romeu. Oh! Romeu, que nesta leitura transformou-se numa personagem secundária.
A minha leitura Shakespeareana interrompeu-se, meu trajeto foi concluído, restou-me apenas a imagem.
Risos internos brigavam para saírem de dentro de mim, mas me contive, foi mais um dia que algo me aconteceu, e percebi que o repentino causa-nos espanto, nos transforma, não há beleza que não seja interferida, nem mesmo a de Julieta.


Celso Ricardo R. Oliveira

Primícias

Por vezes sinto-me na pura sombra,
De meus pensamentos, de meus sonhos, de minhas lembranças.
Essas que nunca me deixam.
São minha companhia.

Ah, sombras de um dia ser!

De meu ser.

Sou metade do que outrora já fui.
Metade de mim foi espalhado pelos caminhos da vida.

E que vida, pergunta infalível?

Nada é tão simples, quanto o que um dia eu senti por aquela pequena flor,
Flor dum jardim do mundo, mas que desse mundo perdi as chaves, já não pertenço mais a ele.

Eu percebo que está perto de anoitecer.

O dia.

Se vi, não consigo mais.
Paira uma penumbra sobre meus olhos.
Canções que nos fizeram deslizar pelo grande salão da vida.
Lembranças que não se findam.
Nuvens de desilusão, conquista mais difícil.

Diz apenas uma palavra!

É, não ouço.

Quem sabe? Algum dia? Talvez uma carta? Talvez.
Foi num abrir e fechar de meus olhos,
Foi como se eu com minha infinita ingenuidade quisesse juntar as águas com minhas próprias mãos, não cuidando de preparar um recipiente apropriado.
Você vazou pelos espaços de meus dedos!
Por mais que eu quisesse, não fui capaz de te segurar-te por muito tempo,
E para te perder foi questão de tempo.

Martírio dos meus sonhos, realidade de minha dor, razão irracional da falta que você me faz.
Seu sorriso, não consigo mais lembrar.

Nem a tua voz.

Muito menos o brilho no olhar.

Celso Ricardo
15/08/05

O verdadeiro amor

E em cada pegada cravada neste árido chão, há uma lacuna que esmaga o espaço incompleto, e em cada vão momento, fica mais fácil eu precisar da tua presença.
O viver, o sonhar, o entender se confundem nas nuvens que tomaram conta dos meus pensamentos, multifacetando-os pela causa inexplicada. O não saber, mesmo na confiança da minha certeza de não ti ter.
E a voz que clama dentro do peito não quer se calar, nas raízes de um longo sonho, que me maltrata e satisfatoriamente ilumina-me em busca de um sorriso que seja, dum sonho apenas, no meu sonho.
E o coração se faz singular aos sons das músicas, na arritmia descompassada bate pelo teu nome.
E tudo me é luz, e nada me são trevas, e na verdade de um sorriso, do seu sorriso, sobre muito eu quero me lembrar, lembrar de você, de nós dois que ainda não somos, nem fomos...
Mas, num simples olhar, posso me transformar, me alegrar e não ter nunca mais a certeza do todo e do inexistente.
Se numa única lágrima há um sentimento, então tudo consegui encontrar, pois rios já se esvaíram-se de mim, de dentro.
E quando corro em busca, não vejo o que quero, pois o Sol se põe rápido e anoitece, e do calor que resta há somente seus poucos raios, que sofrem com a queda contínua da temperatura, sofro as rajadas do vento.
E o que se pode ser se na verdade não se é ?
Como acreditar no que se não pode duvidar ?
O mistério é minha única luz, única certeza, talvez em algum sonho te encontrar e me fartar de ti, me desmanchar na sólida mesmice de um desejo.
Você.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Você...


Você

Ao longe a vejo, meio que de costas, em pé, todo o seu contorno corporal dos pés à cabeça; harmonia intrigante, alusão ao belo. Silhuetas e formas se mostram; meus olhos fixam-se naquele enigma que se forma em minha frente, e à frente seu rosto se volta com um breve sorriso, petrifica-se em minha mente, sou transformado em pensamentos, seu rosto volta-se à direção central de seu corpo.
Desloco-me de meu lugar em sua direção, caminho com passos lentos, e lentamente me aproximo , sento-me ao seu lado direito, (que acabara de sentar-se) seu sorriso é desprendido novamente, e é-lhe retribuído com o mesmo sentimento: meu sorriso.
Prosa dogmática é proferida pelo líder teólogo.
Alguns conceitos religiosos e escatológicos são lançados ao ar, bocas são abertas, talvez o sono, quem sabe, ou mesmo para outros muita informação?
Mas ao meu lado esquerdo a presença diferenciada do restante persistia, sorrisos se confundem em meio a tantos espalhados no templo. Que perdura por todo aquele extenso discurso. (a retórico é convincente).
Finda-se o prólogo religioso.
Ao som de mais um cântico somos convidados a saudarmos uns aos outros. E num momento único, somos um, transformados num puro e singelo abraço.
Sinto seus cabelos encontrarem meu rosto, percebo, não percebo, a música continua no grande salão, afastamo-nos pouco a pouco.
Resta-me a volta da minha e exclusiva realidade.
Fito-a com meus olhos que se esquecem da multidão, permanece a visão da cópia, cópia da beleza, agradável aos meus olhos, que não se cansam de contemplar.
Mas que só posso fazê-lo na minha distância, ao longe, posto que se aproxima única e exclusivamente em minhas lembranças.

A oxitonação das palavras


Abandonar, desprezar, rasgar...
Se desprender da abstração.
Abaixar aqui e acolá.
Captar a acidez emocional
Proporcionar a ação.
Animação, adoração e paixão.
Aliviar a abrasão e resolver abusar,
Chatear, acoplar, acordar da ilusão.
Alusão.
Ameaçar a aberração
Abdicar e aceitar.
Achar, apesar de estar com o coração só.
Se apaixonar com o absorver das emoções.
Abolir de vez com a acomodação.
Amargar além de poder adquirir sem querer acrescentar.
Ser a emoção por ansiar ostentar a razão.



07/05/05 Celso Ricardo

Estrutura

A dor é inevitável
O sofrimento é opcional


A dor é opcional
O sofrimento é inevitável


A dor é sofrimento,
O inevitável é opcional.


Inevitável é a dor,
Opcional é o sofrimento.


O sofrimento, a dor,
É inevitável,
É opcional
.

Uma noite sem você

Fico a pensar pelas noites de luar,
Lua inteira, Lua cheia que míngua meus sentimentos.
Busco as respostas nas incompletas prosas,
Mas só aos poemas sou lançado.

Sou culpado, transformado...
Platonicamente rebentado.

Pureza duma doce metáfora,
Bela flor que aflorou em minha vida.
Assim eu sei, assim eu te quero.
Sonho de uma noite de verão.

Ah! Se Shakespeare me ouvisse e
Colocasse-me na infinita felicidade
De suas obras. De um sonho completo.
É, mas o poeta não tem compaixão,
E em seus textos nem sou citado.
Mísera antítese de meus sonhos

Que se opõe a minha realidade.
E na Odisséia da vida
E pelos livros percorridos fico a procurar-te.

“Quão solidão terrível”.

Ilíada do meu viver.
De todos os encantos,
De todos os cantos
E no canto do teu coração
Ei de permanecer.

E se preciso for um poema compor
Assim o farei, Cícero, Drummont,
Ou Pessoa eu lerei.
Para o teu coração eu alcançar.

Não importa o tempo, o espaço, só o que importa
É o amor que sinto e que cresce aqui dentro,
Dentro do meu peito, ele grita, geme, por um único nome.
Por uma única pessoa que não existe mais.

Poesia


De que maneira ei de relatar, pois da luz que de ti emananão há como um lápis desenhar,

tão pouco comparação não há pois qualquer que a faz se engana.

Em nenhum sorriso posso encontrar.

Somente do seu me deleitar.

Pérola do mais profundo mar.
Preciosa e incomparável tu és.
Sorriso aberto, pronto para amar.

Soneto duma única felicidade.
Contadas as sílabas em dez à EXPRESSAR.

Do Seu encanto por todo o canto,e em cheio o meu coração acertar.

Inevitável flecha traiçoeira.O culpido foi quem me feriste!

De alegre tornei-me triste, pois não sei como o teu coração alcançar.

Flor que desabrochoue de broto se fez mulher.Sim, do meu coração se apoderou.
Me deixado caído (por ti) que dantes estava de pé.


Celso Oliveira.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Liberdade

O pensamento vai muito além das barreiras do tangível, ele é imortal, é uma transposição do inimaginável em busca do sempre, em busca da liberdade, em busca da volta para um lugar que nunca se foi. O pensar é sublime e mágico, infinito e incomparável, é incorpóreo, é vivenciar a experiência empiricamente através do conhecimento, é se achegar bem perto de Deus.

Mais um dia no conformismo

Mais um dia no conformismo insano.

Infelizmente estamos nos acovardando com essa irrisória verdade que nos é apresentada em formas gotejantes e desrespeitosas.
De que maneira encontraremos essa tal verdade, se ela se esconde por detrás da incompetência existente nos batentes de uma sala de aula, que nem ao menos entra em sala com os pseudo-professores?
Somos jogados ao vento de uma pobreza de conhecimento, pobreza de espírito, pobreza de qualquer outra coisa que não me cabe aqui mencionar, mas que me remete aos infindos pensamentos.
Os sons e risadas são ao ar jogados e contemplados pela maioria, mas que na verdade, esta maioria não se atém ao que realmente está acontecendo. As gargalhadas me parece terem o efeito de desaforo, de deboche, de desdém, de falta de vergonha e que ela é apenas a extensão dos homens criadores de ideais mesquinhos, imediatistas e volúpios.
Que pena! Que pena que é assim, pois me sinto enganado e lesado, mas perece-me que os demais se contentam com a falta de compromisso, apenas querem fechar um ciclo acadêmico de pura ignorância abdicando-se do conhecimento. É, talvez seja ingenuidade minha querer alguma mudança, não me parece possível, porém creio ser a mais sensata das mudanças, a mudança de pensamento e de atitude, aliás, esta por último vem faltando nos corredores da vida, falta o grito do rompimento dos grilhões que nos prendem somente aos fins, parece só nos importar com os meios, e de que maneira chegaremos, é um comodismo insano e inescrupuloso, doentio, febril, que queima a essência do saber, do conhecer e nos fecham as portas para a luz, apenas restando a escuridão da estupidez desmedida da mentira, da nudez de um saber obsoleto que caiu em desuso, forçando-nos a compreender apenas o óbvio, o cético num pluralismo desregrado e sem causa, apenas a individualidade sem motivo.
O isolamento é uma extensão imutável para a maioria, que se vêem cercados por muitos, mas que ao mesmo tempo pede com gritos internos que alguém o ouça, que alguém venha acolhê-lo. Para mim é melhor me ater nas minhas palavras comedidas, sem desferi-las a ninguém, respeitando mesmo sem saber o real motivo de tudo isso, apenas mantendo o respeito.
Os gostos que dantes se confundiam, hoje se aglutinam num degradante e pobre e triste e fraco comodismo conjunto.
Busco nos livros respostas, até que elas me vêm, porém somente para mim, me sinto isolado na minha incorpórea alegria, solidez de uma felicidade, paradoxo de sentidos, mas que não consigo partilhar com muitos, pois esses muitos não têm tempo, a soberba e avareza os tomam pelas mãos e vagam no mundo ilusório de seus desenfreados cotidianos e obscuro, se perdem com o tempo.
Eu conto os meus contos, e encontro nos meus encontros, no meu canto eu canto e me encanto.
Mesmo parecendo solitária a minha reflexão e indigestão, me sinto confortável e confiável na minha "pseudo-solidão", a qual é muito mais integrada do que a dos muitos.
Sou de poucos sim, porém esses poucos são honestos e sinceros, sou detentor de algo grande, que não me ensoberbece, apenas me consolida, a esperança.






Celso Ricardo R. Oliveira

Minhas últimas aulas na faculdade

Bem, realmente é lastimável perceber que tudo isso vai perdurar por esse rastejante semestre, que corre “a passos de formigas e sem vontade”, vontade esta tanto dos professores, quanto dos “adolescentes” fora de tempo de nossa sala, mas o pior é que nesses semestres que se passaram eu sempre me esforcei, mas, percebi que nesta medíocre faculdade se você se esforçar para tirar 10, ou ser mais um peso morto dentro de uma sala de aula, esbarrando sempre na média, tem o mesmo valor, aliás, segundo palavras do professor Júlio Hadadd, o pessoal bagunceiro, que não faz nada em sala é o que ele dá valor.
Pensei que ao inserir-me numa faculdade, teria o retorno do conhecimento, mas o paradoxo vai além do que imaginei, pois os professores pregam que ao se prestarem um serviço, você tem que cativar o cliente e conquistá-lo todos os dias, realizando assim o chamado pós-venda, sabe o que significa (INTERROGAÇÃO) Significa que eles pregam algo que não conhecem por causa, apenas há uma literatura fétida que poluem os meus ouvidos e agride a minha inteligência.
Esses caras estão enganando a todos e pelo incrível que pareça, isso se torna normal para a maioria.
Eu vi nesses semestres pessoas passarem de ano com médias inferiores a 03 (três), por incrível que pareça, e não puxarem DP, e agora que não tem mais AI e a nota do TICC abaixou para os míseros 20% da nota final, e por fim a média que já era baixa caiu para cinco. Como dizia Boris Casoy: ISSO É UMA VERGONHA.
Sabe, na história sempre houve movimentos de revolta contra o comodismo, assim como houve o Renascimento em busca de apagar a escuridão da idade média, conhecida como idade das trevas e falta de conhecimento (me parece atual), e nas artes conjuntamente nos séculos XIX e XX, criou-se um movimento conhecido como Vanguarda Européia, e dentro dos 5 estilos criados há um que se enquadra muito bem se falado especificamente de nossos queridos professores, é o Dadaísmo, que consiste pela ação sem lógica, sem causa, fazer por fazer, o importante é o seu momento, deixar-se levar pelas suas emoções, recortar papéis com frases feitas de livros obsoletos, jogá-los ao ar, e aleatoriamente juntá-los, assim nos parece que estão fazendo conosco, apenas teorias de Kotler e raríssimas correlações com o mundo atual, com a cidade de São Paulo, com a prática de trabalho. Penso se jogarmos os nossos amados professores para o auto, um Julio, uma Renata, deixando que uma Gislene, e um Luis Antonio se aglutinem, e com outras dezenas de ingredientes que nos fazem infelizes por ter profissionais que almejam somente o dinheiro, esquivando-se da sabedoria e do dom mais precioso que Deus lhe deu, a arte de ENSINAR, poderemos finalizar com mais essa enganação.
Resta-me tentar mudar algo, mas por hoje me contentarei em apenas relatar o que sinto.



Celso Ricardo R. Oliveira

Poema para o poeta

Que pena que se foi

Que pena que ele se foi,
Mas como todos sabemos
Ninguém vive pra sempre,
O sempre, sempre acaba.

Um dia, quem sabe,
A sua existência poderei contemplar.
Um sonho, uma realidade.
Utopia dum mero leitor.

De suas crônicas, de suas poesias...
São lamentos por ter-nos deixado,
Mas também são muitos
Os agradecimentos por também
Ter-nos deixado, os seus escritos.

Puro, como as virgens donzelas
Pintadas por Picasso,
Alucinado como as linhas
Geometrizadas por Pollock

Você, que um dia viveu entre nós
Vocês, talvez perderam um dos mais
Ilustres poetas, fábrica de emoções,
Iluminado pelas mãos de Deus.

É certo que o Sol brilha para todos,
Mas nem todos conseguem transformar
Os seus raios em energia de inspiração.
E no meio do gol, havia um goleiro...

Os gritos pela falta de organização,
De quem, eu me pergunto?
Pelas ruas que andei,
Pelos bairros que passei.
Pelas viagens internacionais que fiz.

Todas não se comparam as emoções
Que encontrei, quando de suas obras
Passei a conhecê-las, e quando eu menos
Esperava, restavam apenas três minutos.

E logo eu ouço, acabou.
Tudo acabou, você se foi.
Na briga pela bola da vez,
Fiquei com as melodias de uma MPB,
Que me acostumei sem nenhum esforço.

E se eu quiser falar com Deus,
Também eu ouço, tenho que me afastar
E me aproximar de mim mesmo.
E caminhar pela estrada da vida.
E eu pergunto a ele:
Onde estão as pedras que sempre tropeço?
Onde elas se escondem?
Será que ele me responderia? Talvez.
Uma vida diferente, mais um sonho.

Sonho que sempre começa,
Mas nunca se finda.
Sonho de uma criança alegre.
Pegadas pelas ruas.

Olho para o relógio da parede,
É tudo tão normal, sabe lá.
Lá dentro, dói muito, mas como eu
Quero chegar, vou pelo caminho.

Cantar, sonhar, andar,
Mesmo sem conjugá-los já é
Possível verbalizá-los por si só,
Pois na simplicidade que se encontra
O verdadeiro significado.

O ser e estar.

Ouço, lá no fundo, aquela música.
Das minhas lembranças, de meus desejos,
Dos meus momentos, e quanto num instante,
Sou subitamente transtornado pelas
Mudanças, que são rápidas.

Sorrisos se misturam com as frustrações alheias.
Músicas sem sentido, palavras que não entendo
Seu significado, num único movimento,
Somente, e repete e se repete.

A rotina, tradução dessas palavras jogadas,
Jogadas ao ar, empurradas pelo ar.
Nas antenas dos rádios, na mesma rádio.
Súplicas de um mestre, que se foi.

Que pena que se foi.
Lamentos de um leitor,
Resta-me a desintegração de sua alma,
De seus textos, que mesmo solidificados
Entre meus dedos, escorrem por um rio de lágrimas.

Comprovado, estigma de uma ralé,
Sem fé, esperança, sem a hombridade de um mísero maltrapilho, que ao menos se afugenta de suas origens em baixo de seu mau cheiro.
Somos nós todos malcriados
Ou mal criados são os nossos pensamentos?
Quem nos daria essa resposta?
Talvez a própria interrogação (?)
Por quê não!

Tento fugir com meus pensamentos,
Vou para longínquas distâncias,
Ao som de mais uma linda melodia,
Que se repete, sobre o amor é tema.

Quero-te mais que tudo, tudo, tudo,
É assim que se passa, aqui ou entre
Qualquer outro lugar, não importa,
É a dor mais pura, a dor que fica dentro
Do meu coração, fica aqui guardado.

E toda a história eu já visitei, e o
Silêncio se acomoda, sem deixar-me
Em paz, é a paz que todos querem que
Eu abomino, te amar somente na história

As notícias percorrem na cidade, são
Muitas as boas novas, mas para mim,
Não consigo ver virtude em tantos sorrisos.
São tudo e não sou nada.

Choro ao som de mais um chorinho,
Sou levado pelos devaneios, dos sonhos,
Da utopia adjacente dentro de meu coração,
As perguntas se aglutinam, num único gole.

Pobre são os grandes, que persistem
Em sua integridade, que ilesos precedem um
Grito de alívio, de dor que seja, mas é decorrente de um desabafo.
Cadê o que procuro, por quê não vejo.

Quem sabe, não existe, é apenas mais um fruto de minha imaginação, que produz alucinações em busca de um aconchego, e a repetição do todo, de tudo, tudo e nada.

Náufrago de uma embarcação que antes era a de maior confiança, que palavra é esta, confiança, eu sinto é desconfiança, eu quero é rasgar minhas vestes e desabar num único grito de desabafo, mas não posso.

Conversas paralelas se multiplicam numa velocidade surpreendente, palavras que são rapidamente jogadas ao relento, sem apego, sem entusiasmo, são informações que representam um nada.
A medida que passa o tempo, mudo te tom, pois procuro um tom para minha vida, ao ritmo desastroso da incoerência desenfreada da imaturidade, mudança de tudo.

Sufrágio duma gargalhada, uma piscada de olho, por cima dos ombros, sobressaindo da razão natural da cadência. Penso que sou livre,
Mas se esse pensamento há um crédito, então por quê provém o desejo de ser livre.

A prisão me assusta, o mundo me assombra, me transforma como um acuado e peregrino, como um campo imenso a ser descoberto, mas que por minha insegurança, não consigo desfrutar da vida o que ela pode me dar.

Os tempo ruge contra as minhas costas, o mundo passa e somente eu permaneço no velho passado, tento viver da história, não paro com a falta de coragem, é inevitável.

As pessoas se mostram, se transformam, crescem, mas vejo que todos continuam as mesmas pessoas, a pesar delas se mostrarem diferente para mim,

Penso que elas querem nos substituir por qualquer outra coisa nova, que dá mais prazer, mesmo que seja momentâneo.
Os dias se passam, e vivo na expectativa de mudanças, melhores no amor, na dor.

Sonhos que um dia suavizaremos nossas mágoas, nossas críticas, compartilharemos um pouco mais um do outro, sem que necessariamente sejamos recompensados.

O que seremos, o que somos, o que somos capazes? Alusão de uma vida perfeita.
Braços se estendem para nos abraçar, mas será que daqui a pouco eles estarão estendido novamente? Este é meu grande medo.

Sou apenas um mero leitor de seus textos, que representam um mundo totalmente utópico, inexistente, somente eu acreditei, mas você se foi, ele se foi, talvez, cedo de mais.

Ida para um lugar que não temos notícias, as visitas são proibidas, descarrila nas notícias de quem nos deixou, pouco a pouco nos esqueceremos, que pena, de mim, de mim.

Volta somente aos meus alhos, quando adentro em seus escritos, que se repetem na sinuosidade de relatos, somos pobres, pois pensamos no próximo, e procuramos aconchego num banho de alma.

Vê se lembra de mim, línguas se misturam com seus próprios costumes, explicações descritas por relatos, sapiência ignota.
Quem e o quê e para quê?

Números se rastejam por ruínas, na dependência da facilidade.
Nada é fácil, assim diz mais um poeta, com seu café amargo, na negação do ócio, todos os dias para o seu próprio dia.

Nas cidades, as luzes se confundem com o findar de mais um novo dia.
A verdade, realidade refutável.
Lutas contra a luta.

Eles se escondem atrás de um falso método, ruidoso e piedoso, e o que é ser e estar.
Continuidade de uma mágoa, de uma deliberação restrita. Que vida de sofrer.

E hoje em dia, como eu posso dizer eu te amo, assim dizia o grande poeta, que também se foi.
Sem essa de ficar sozinho, quero viver em paz, numa realização pessoal.

Ruínas se repetem, alarmes disparam, alardes, estreita liberdade, prisão em plena liberdade.
Singularidade, músicas tornam a romper o silêncio absurdo, ilusão de comprimento social, pessoal, fatal.

Barulho de conversações, bagunça, desrespeito. Permaneço ileso na mais pura ventilação das palavras auferidas por um mísero retardado, as linhas se confundem.

Que desesperança, desapego, retaliação.
Ridicularizado pelos fundos de uma embarcação, que na sua nau, sofre os danos dum mau tempo, tempo de desrespeito e desamor, ironicamente.

Resta-me o silêncio, o desapego por coisas insanas, puro engano meu, quando em algum dia pensei na existência dum mundo valorizado, integrado com a verdade.

Ah, tanta inocência, clemência eu peço aos afortunados de conhecimentos, pois sou um ilustre desconhecido, apenas conheço os escritos dos conhecidos, sou um pobre leitor.
Escracho da tristeza, realidade absurda.

O abuso me conduz ao grito por uma justiça, mas ainda não sei qual é, a astúcia e esperteza se completam nesse mundo de egoísmo e sofreguidão. Reis do mundo, de cada mundo imundo que existe nesta vastidão.

Como arde o Sol, os raios de Sol, como eram lindas aquelas estrelas cadentes, estrela do mar, estrela de qualquer lugar, tudo se foi, juntamente com a figura do grande poeta, que com sua vida, sucumbiu.

Nas estrelas eu vejo, mesmo se eu apagar a luz, o seu sorriso em suas palavras tão bem escritas, dispostas, quando representava com toda a sua clareza o amor, e do amor.

E mesmo com as luzes apagadas, mesmo assim, consigo enxergar seu verdadeiro sorriso, talvez uma grande interrogação, paixão executada.
Antítese de uma tese, pleonasmo sim.

Sinônimo dum raio instantâneo, súbito, epopeico, persuasão de um mero leitor, de ti, de mim, e o que é o sofrer, e o que é o amar?
Meu bem, meu querer, harmonia, desarranjo,
Multidão de contradição.

Meu encanto, sou louco, estou louco, sim, eu volto ao ser e estar, nessa situação, discriminação, vozes que ecoam no vasto espaço, pelo ar, pela leitura de suas obras.

Oh, barulhos que não me deixam, solidão do meu grande e azul, céu estrelado, estrela que se foi, que somente nos deixou sua maior preciosidade, seus pensamentos.
Na repetição de cada batida do coração, que nunca se repete, sempre bate por algo diferente, pelo amor, pela dor, da perda desse amor, que um dia se colocou como um detalhe, alheio aos sentimentos.
Puro silêncio, já com um zunido no ouvido, as vozes se repetem, como e quando tudo isso começa e acaba? Eu não sei, sou livre em minha prisão consentida pelos meus ideais.

No devaneio da vastidão irracional de falsos intelectuais, pequenos sem ao menos saberem, som da infinita ignorância, palavras e palavras desconhecidas, músicas sem a real tradução, não há sentido, não há sentimentos.


Somos brutalmente violentados por um mísero raciocínio, a busca por valores agregados ao produto acabado, os fins desse modo aniquilam os meios, deturpam o verdadeiro sentido, realidade e ficção.

Rádios com sons estridentes, realizam a busca por melhores sintonias, caos e discriminação, cadê as chaves de todas as perguntas, vacilo dum estreante, o não persistir.

O som percorre a sala, luzes se confundem com o claro de idéias geniais, perspicácia do pequeno corredor, que atravessa toda uma história, velho e novo se confundem.

Velhos pensadores, inusitados conhecedores, possuidores da imensa experiência, com o passar dos anos, sim, concluem suas largas jornadas, porém, são assaltados por gestos grosseiramente insanos.

Não há permissão para pensar, o contemporâneo se arrisca contra as tradições, travam uma luta corporal, seus espíritos são dilacerados, só restam as migalhas pelo chão.

Terra que encobrem aqueles que pretensiosamente tentam com sua velocidade atravessá-la, caem como o maduro que se desprende de seus galhos, o verde é aniquilado, extinguido.

O mundo não releva, pequena ironia, engole os menos favorecidos, desafortunados.
O poeta se foi, rindo talvez das intrigas que deixou, piadas para aqueles que não conseguem decifrar seus signos.

Ao som de mais uma linda sonata, discuto internamente sobre as razões, poções mágicas, dentro do meu peito, as leituras de suas cartas que se foram, levadas ao vento.

A fumaça invade o ambiente, transforma-o num antro de destruição, sonoplasta desestimado, antropólogo de pensamentos alheios, vampirismo constante.

E dia após dia, eternamente na busca de significados, realçam uma loucura, economia de estado de espírito, santo espírito que se foi, nos deixou, o vento o levou, para bem longe.
De tudo e de todos.

Economia de espaço, agressão aos morais, refinados estúpidos, cúmplices dum genocídio em massa, na marra,..., vôos longos, de costas para a vida, linda e pura flor que se foi, nas nuvens te encontro, me encontro.

Fidelíssimo, caluniador, descuido com as palavras, o frio já passou, o quente não chegou, e o morno dá o tom real da velha e constante situação, múmia, sarcófago.

Desterro de cadáveres, sono, o mesmo de sempre, eu aqui e ainda, tudo é bom, mas também tudo nos faz tão mal.
Quem sabe, um bom dia para começar?

Os portões são abertos, há extensões de crimes por todas as ruas, as cidades são declaradas insanas, pensamentos são menosprezados por serem contra os bons costumes.
Palavras de desabafo, que não se definem, misturam-se com as suas próprias indignações,
E paira uma pergunta, e por quê?

O corpo pede auxílio, quer gritar, mas ele não pode, não consegue, são os nós de nós.
O grito, o rasgo no peito, o ridículo reflete sua pálida e cálida doença, rasgo no peito, não passa de um desejo, insano desejo.

Oh! Alma inacessível, alma selvagem, incorruptível, falsa alegria, regras são criadas pelas necessidades de estabelecer normas, os erros são unos, são deploráveis, destrutivos.
Assim como os sonhos de lunáticos.

Sobras de sobras, sobram no vasto terreno da incredulidade, camisas apertadas nos afastam da realidade, almas desregradas, auto destrutivo, detonadores de bombas.
Só resta a espera, no sonho. Na cama.

Vasos de sangues se vão com violência, como numa máquina programada, bombeando o sangue pelo órgão dos sentimentos, coração que sempre será imaturo, não há solução.

Violação dos desejos alheios, estado inicial do ser, humano, inteligente, corpo e alma em sua plenitude, joelhos se dobram em busca de algo, perdão talvez, mas pode também ser a busca pelas migalhas espalhadas.

Respostas das palavras, sempre correndo atrás delas, bobagens, relatos, descobertas.
Mas tudo isso, por quê somos assim. Meros espectadores da vida, não participamos de suas ações, abdicamos de nossos ideais por idéias de quem quer que seja.

Fraquejamos todos os dias, mas não aceitamos o erro como nosso, são deles, assim pensamos.
As folhas são passadas uma a uma, com rapidez, os sons mudam, as letras eu agora consigo entender, está em minha língua.

A dúvida é a certeza de que nunca sabemos de nada, paira um breve silêncio, violento silêncio, consigo ouvi-lo, é contínuo, retilíneo, puro, como o ser em sua essência.

Não há relatos sobre os que permaneceram intactos, puros como o silêncio, o fim.
Importa que nos resta ainda uma longa caminhada, com suas curvas.

Meus olhos persistem na busca de enxergar o verdadeiro, nada, não o encontro.
A velocidade satisfaz aos que gostam das grandes caminhadas, não há descanso.

Tudo se vai, até aqueles que parecem ser os eternos, permanecem somente os seus relatos, intactos e descritivos de sua alma.
Os quadros se deslocam de lugar.

É tudo que quero, que persiste, nos meus sonhos há ainda, o desejo.
No meu caminho resta o começo, pois ainda não o encontrei, só no dicionário o achei.

O felicidade que nunca pousa em meus aposentos para saciar minha sede.
Pouco eu conheço e o que conheço não basta para iniciar uma vida, pura como a dos anjos.

Possivelmente os passos existem numa caixinha, bem escondida, Pandora que nos explique, por quê ela não segurou nossas emoções, ô esperança.

Palavras são palavras, o poeta que se foi, nos deixou, músicas que ele ajudou a compor, a cantar, também a descartar.
Sujo, sem esperança, que hoje se foi.

Para alguém, quem sabe, mas num único gesto, repousa a realidade sobre os sonhos dos filhos da Sofia, graciosa e desajeitada Madona.
Suave como uma música.
Seres que nos deixaram, área de acesso a informação, que pena que não somos capazes de restituir o bem, senão acumular o descuido de não errar .

Sejamos livres em nossos cantos, nossas jaulas, e os nossos sonhos foram todos quebrados, se é que podem quebrá-los.
E o mar, quando que irei vê-lo?
Oh, lembranças que não me deixa.

O desperdício de um grito, num tempo de ruídos e barulhos, cadê o amor que um dia outrora me oferecera? Onde foi enterrado?
Foram somente palavras jogadas.

Sul e norte não se encontram, pólos existem para separarem as massas, e sou um pólo separado, tantos sorrisos foram divididos com a metade que se foi, só penso.

Pensamentos de uma parte de um todo, mas dizem que o todo sem a parte não compõem o todo. Falta das tardes de Domingo.
As mudanças me incomodam, não consigo absorver tanta coisa nova.

Que vida se relata, senão o próprio livro de sua vida. De novo sou suavemente transportado pelos hinos, pelas canções.
Coração, se apronta para recomeçar.

O novo de novo se apresenta, maltrata, reage.
Filho de homenagens, lado a lado com os enormes brutos. Suas costas são queimadas pelas raízes das enormes árvores.

Sombras de todas as naturezas, raiz do som, do calor, pescadores de ilusões.
Sabedoria insana, relatos de senso crítico apurado, de um poeta que se foi.

Sensibilidade absurda, incomparável, única.
Estantes arrumadas, papéis em seus devidos lugares, interesse próprio.
Auto crítica, sufrágio dum louco.

Maioria, é a maior decepção, demora na sua elocução, não há hora de chorar, mas o poeta já se foi, e conseguiu mudar o mundo, pelo menos um dos mundos, o seu.
Seja humano, seja celeste.
Seja correto, não seja corrupto.
Tenha fé, na vida, na sua vida.
Seja e não esteja.
Quando em minhas velhas lembranças, relembro de seus gestos, de seus gostos, mesmo que agora encobertos com a sombra do passado, que se foi juntamente contigo.

Velhas e inseparáveis lembranças, nas suas cartas, que conseguia enxergá-la, seus sentimentos transcritos.
E quem foi que disse que as cartas não falam, elas diziam muito pra mim.

Cada palavra escrita, cada palavra posta no papel, que pareciam transcritas com lágrimas, puras como o seu próprio silêncio, que era de costume, rapinas de minhas noites.

Valia a pena voltar ao estado inicial, imaturo, de encontro, quando no acaso do acaso te encontrei, num simples esbarrão, formamos num único instantes corpo e alma.

A dor talvez seja para os fortes, que atravessam-na com todo ímpeto, sem que as marcas da dor lhe deixe seqüelas, só me resta o que restou, as sombras de tuas infindáveis lembranças, a vida ganhou.

Vencer à liberdade, lema de um grande espectador, que busca respostas por intuito, sapiência obscura, não valorizada, todos os sentimentos caíram em desuso.

Acusado pelas noites em claro.
Acuado por canções que me visitavam, invariavelmente, sem o menor remorso, simplicidade exposta.

Vida que continua, mesmo sem as tuas cartas, teus escritos, como tudo se foi tão rápido, será que não consegui perceber o seu afastamento da minha vida?

A paz, que tanto busquei, pelos bosques que passei, foram tantos, tantos sorridos roubados, lábios, olhos, todos romperam-se num piscar de olhos, de meus olhos, sim, você se afastou.

E no deserto, que um dia eu te encontrei, somente eu permaneci, e você, tão longe se apresenta, e eu aqui, correndo só, longe de ti e perto do nada, tudo para, tudo continua.

Sonhos que se repetem, sem volta, não há volta, deixa tudo pra lá.
E quando de ti ouvi, se existe vários amores você foi um, mas se existe somente um, então eu ainda não o conheci.

Sabes que nesse dia, tudo parou, pois, percebi que estava só, não tinha ninguém para me apoiar, tudo que sonhei, só foi meu.
Mas que tudo, tudo, tudo...
Oh, lembranças que não querem me deixar.

Fui, assim eu escutei, após aquelas palavras, então, comecei entrar num vasto e isolado mundo, que ninguém foi capaz de visitá-lo.
Quando muito eu próprio as vezes me visitava.
Extrema realidade onde fui jogado.

Tentei lutar contra os caminhos que se apresentavam, contra e a favor.
Eu e minhas lutas interiores.
As lendas de algo verdadeiro, se apresentava.

Puro como o som do silêncio, assim eu pensava que era, puro engano.
O puro não se encontra mais nas prateleiras da vida, é um utensílio em falta.
Prosas com muita angústia.

E a cada batida, a cada som, invadia-me, e que as vezes fazia eu pensar nas contradições, minhas contradições.
Lamentações, por quê você se foi?

Eu procurei várias estradas que fizessem dar de encontro com os teus passos, mas, a cada passo que encontrava, as suas pegadas distanciavam-se umas das outras.

Distância que aumenta dia após dia, irrefutavelmente, invariável.
Tento visitar o meu túnel do tempo, só para ir em busca das páginas que foram escritas com verdadeiras lágrimas.

Corro por ações que me levaram decorrentes pelas reações, reação que outrora não fui capaz de expressar.
Direto, assim é que eu deveria ser, direto.
Firme nas palavras.

Nunca, jamais, são palavras que não ouço com freqüência, frieza no agir, esse não de minha parte, mas do presente que representou muito bem o meu passado.
Futuro utópico, real só nos meus senhos.

Meu futuro, que tento viver através do passado que rasga meu peito em buscar por singulares respostas, são simplesmente transformadas em certezas de minhas próprias incertezas.

Em minha alta velocidade, que desfragmenta meus instintos mais fugaz, trânsito de inteira falsa impressão, são pés e mãos em torno de um corpo, cheio de um todo, vazio profundo.

Suaves são as palavras de aconchego que chegam a mim, mas que na verdade me faz tão mal, por quê são proferidas tantas palavras sem um verdadeiro sentido.

Pulos de alegria, algum dia eu já dei.
Saltos que agora são dados para fugir das flechas do destino, ele não culpa as palavras, mas culpa quem as profere.

Sabedor de todas as coisas, é, ele com seus lindos escritos se foi, juntamente levando a alegria das cartas de quem um dia declarou seu sublime encanto.

Que profundo desencanto com o passar do tempo, realista de uma utopia inalcançada.
Tempo que destrói os desafortunados intelectuais, não os deixam viver.

Torno-me presa fácil de meus próprios enganos, confiança que se transportou num único instante na mais rica decepção.
Torpe único, úmido, próprio de mim, doentia alma que fora maltratada.

Bem amada, foi ela que escrevera em suas findas cartas as mais lindas linhas já lidas.
Bem querida, se não fosse o meu infortuno desprezo. Colho agora suas migalhas pelo chão desse sertão árido.

Pestanejando ao olhar o mar, que pelo meu mau tempo, não percebi as ondas se aproximando de mim, variavam umas das outras, mas que sempre cresciam .

E em minha direção, num súbito instante fui colidido com a imensa onda, despedaçado na imensidão do mar, não tendo onde me segurar, lembrei que podia boiar, tentei, mas que pena, afundei com minhas lembranças.

E o que me restou?
Eu queria poder nadar, mas para onde? Em qual direção eu iria?
Pobre à deriva de minha própria embarcação.
Sobriedade que sobrou e faltou ao mesmo tempo. Sólida decisão.

As letras das velhas palavras trancadas dentro dum peito cheio de água, soluçando por salvação, ilha de meus pensamentos.
Criada por mim, e por mim foi destruída.

O presente reservado para poucos, que entre os poucos fui esquecido, vivi o passado, só que permaneci do meu passado e esqueci das mudanças pertinentes ao tempo.

Retalhos de uma vida resguardada a uma velha e contínua história, vida que atravessa o passado, mas que antes de livrar-se das mágoas, volta-se os olhos com saudades.

Prova de uma realização incompleta, escancarada, mas que trouxe aos meus olhos a mais profunda idealização do não eu.
Não sou, mas hoje eu estou.
A paz, pureza e infelicidade se confundem.

Venho, e volto pelas ruas amargas do largo e obscuro esqueleto, carcaça que se apóia nas pernas da indiferença.
Pensamentos em busca de uma razão, que não encontro, não sei onde está.

Pureza encontrada no som do silêncio, que por distração é quebrada pelas águas torrenciais dos meus olhos.
Lágrimas por alguém, que não se importa com ninguém, tampouco por si mesma.

Longínquas parábolas que um dia conheci, em meio ao som da grandiosa orquestra, retidão dum pensamento sensato, único e objetivo.
Sórdidas conversas ao longe, aonde? eu pergunto. Resposta vazia me é dada.

Pureza, leveza, emoção, levando-me com as águas que correm, me cobrem, tiram-me o ar.
Na volta aos meus sonhos, sou eu o único que obtém as respostas, sobram as rugas causadas pela vontade das palavras naquelas cartas.

As correntes que me levaram, não foram poucas, nem tomaram o conhecimento de minhas falhas, destruíram-me por um todo, sobras espalhadas se foram, por conseqüência da estultícia de um dia eu acreditar no sempre.

E a certeza do sempre, que nunca é certa.
Veracidade de meus pensamentos, relativos aos meus desejos, desajustados, enraivo-me com tudo e com nada.

Pêndulos, de um lado para o outro, sendo jogado, transformado a cada instante.
Toques duma trombeta, assim eu escuto, permaneço ileso, intacto, inerte.

Músicas que recriam uma nova atmosfera de som e cânticos, solução de todos os problemas, relacionados ao vasto conhecimento humano, que distancia de mim, pobre ignoto.
Desconhecimento das soluções.

Sandice da sapiência inoportuna.
Pobreza de meus pensamentos que não se desvincula do passado, tortuoso e desastroso.
Sou eu com os meus sentidos.

Puro, semelhante ao breve som do silêncio,
Brisa passional de um breve momento, assim um dia, um pobre já escreveu, relatos do desencanto infortuno, desastroso.

As linhas se confundem, se cruzam, partilham com o infinito.
Nas linhas que outrora foram escritos contos de cada canto de alguma vida, desastrosa.
Cartas que não houve respostas.

Multidão de pensamentos misturam-se com as páginas da vida do poeta que se foi, e com ele, os martírio, mas este sim, permaneceu, intacto.
As horas passam, o ponteiro custa para trocar de lugar, petrifica em sua essência.

Lágrimas que custam em seu cessar.
Lembranças de alguém que somente existiu através da dor de uma perda, quem sabe, de alguém que só existiu pra mim.

Provável desilusão de ação não correspondida, pedido de silêncio, obscurecido pelos meus olhos encharcados, lascívia e também pura.
Desengano do mundo e para o mundo.

Mundo desgarrado, meu mundo, caro mundo.
Brado duma revolta, sandice indiscriminada, sem proibições dos sentidos inquietos.
Problemas de uma noite.
Saudade infindável, cortejando meus devaneios, insalubres.
Maltrapilhos como os meninos de ruas, que são rejeitados como animais não queridos.

A certeza nunca bateu em minha porta.
A dúvida permaneceu nas nuvens de um pensamento insurreto, retrógrado.
Linhas de cartas castas regrada e regadas pelas lágrimas dum louco, lunático.

Solúvel, as mais puras combinações, irônicas, crônicas irreversíveis.
Duro como uma pedra, ríspidas assim ela se mostrou, demostrou, se despiu de suas vestes.

Sufrágio sim.
Menina de meus olhos, que um dia se foi.
Desfecho que jamais consenti.
Mas não percebi que ela se ia pela porta da frente, sem que eu pudesse impedi-la.

Razões de que nunca perdeu, e que agora tem que se acostumar com sua derrocada.
Ego que outra vez passou, já não é.
Eu fui, ela disse pela Segunda vez.
Persisti, errei, por não consenti.

Esbarrei nas barreiras impostas pelo tempo, resíduo de um dia uma parte ser completa, mas que a outra queria só um tempo.
Tempo que deu seu próprio tempo.
Suicídio das mágoas, palavras.

O frio me visita, me conforta, restaura.
Distancia das realidades relativas, de um para o outro, não há provável, é o exato.
Princípio relatado nas cartas esquecidas, impróprias, lamentações incomum, única.

Sórdidas e frescas são as lembranças.
O acúmulo de rascunho da vida se vão, não deixa frestas, só quer fugir.
E se você quiser, talvez, eu não quero.
Que sabe alguém quer?

Eu só quero não querer mais, lamentos e sonhos do relacionamento, meu relacionamento, que não posso afirmar ser o dela, da flor que um dia me aproximei.
Despedaçou-me por inteiro.
Sonho de um dia, em que acreditei nas verdades, nas realidades, no sempre.


Os sorrisos foram dispersos pelo caminho, de tudo e de nada sou representado.
Crimes percorrem a grande cidade, inundando cada espaço de paz que ainda sobrevive.

Sutileza das músicas tradicionais são corrompidos por murmúrios das subclasses, sons e cantos, são todos espalhados por todo canto, parábolas desnecessárias, inúteis.

A normalidade que todos procuram causam estranheza em quem não consegue se desfazer de seus puros pensamentos.
Em qualquer caminho consegue-se enxergar a vastidão da intolerância.

O controle, que por vezes é inevitável, torna-se mais e mais brando.
Caminhos a seguir.
Sozinho, é, sozinho nesta vastidão desértica.

Dias se passam, e dias vem, porém, todos tocam o solo da minha desilusão, que rasga meu peito, assombra-me, me desespera e me diz espera.
O sol, que me aparecera algum tempo atrás, já não sinto o seu calor, se distanciou de mim.

Nas minhas lembranças, somente lá que encontro aconchego, lugar este que guardo minha sofreguidão.
Puro como o persistente silêncio, que ecoa na vastidão do vazio não permitindo eu permanecer na minha razão.

Emoção que apareceu-me e nunca mais me deixou em paz, companhia costumeira, mesmo sem que ao menos eu convidá-la, metida, assim ela sem cerimônia apossou-se de mim.

O “pode ser”, ou “quem sabe, a todo instante” aparece nas vagas vezes em que paro para pensar, e o quê, sim, o quê faço?
Não sei!
Casa.
Lugar solitário, amargo, escuro.

Pureza, límpida, cândida, calmaria.
Maria, pura como a água, limpa como a consciência de uma criança, cândida de meus pensamentos, dos meus sonhos
Branca em sua essência, intimamente.

Nas tardes de dia de sol, que por vezes me refugiava e que hoje não a encontro.
Sonhos de um dia, que se tornou noite tempestuosa, medonho.
Cálida brisa que não mais sinto.

Calmaria, somente em meus desejos embutidos na mais profunda dependência dos sorrisos alheios.
Ah, como tudo se transforma.
O dia, que em poucas horas torna-se noite, e quando menos esperamos, já o é novamente.

Sonhos que são interrompidos abruptamente por fortes gritos em busca de mais realidade.
Utopia dum lunático desmedido.
Prosas são escritas com as lágrimas duma lástima escondida.

Representação, talvez com um sorriso tímido, que não consegue quebrar as barreiras da ilusão que se passou, mas o poeta ainda persiste preso nas suas lembranças.

Calmaria, quem é ela, onde ela está, se apresente na minha frente.
Sensatez, sorte miserável, alguma outra coisa qualquer.
Palavras ao vento.
E ao vento sou levado, como uma folha seca, que ao primeiro toque, se esfarela, transformando num amontoado de nada.

Vento que sopra aos meus ouvidos.
Brisa de toda manhã, candidez matinal.
Sutileza de meus pensamentos que vão se apaziguando ao som do mais lindo som, o breve silêncio.

Silêncio que é quebrado pelos meus pensamentos, que transformam-se nas batidas aceleradas dum coração vazio e despedaçado como a folha seca.
Sonhos que se vão e com eles levam consigo a esperança, pois a realidade é imposta no despertar do relógio.

Desfaço-me, dissolvo-me pelas águas cristalinas desse rio, que me traz lágrimas e sonhos.
Rios de minha consciência.
Rios duma solitária jornada.
Avidez de meus pensamentos.

Tardes cinzas.
Dia e noite se confundem.
Esperança contrapõe com a realidade.
Impossibilidade inexata, chuvoso em sua calmaria.

Fustiga-me os raios do brilho do olhar que outrora fora visível, mas que hoje não o vejo.
Meu espelho, no espelho, reflete as mais belas e sinistras verdades de um sorriso incolor.
Pureza em meu interior.

Solto-me dos laços aprisionados.
Prisão que reflete uma real verdade.
Versos são transcritos, redigidos, protegidos pela poeira solitária e esquecida.
Minhas lembranças.

Poucos são os momentos em que não estou no vasto e solitário mundo das lamentações. Canso-me de tanto procurar uma saída, nas músicas eu tento me refugiar, nos lábios de outras pessoas, vozes que transcende o finito silêncio, pois eu quero gritar.

Meus lábios tremem, mas não é de frio.
Sinto-me na mais real indiferença aos meus pensamentos.
Olho para todos os lugares buscando uma direção, mas não a encontro.

Só estou firmado em meus pensamentos que idealizam um sonho que em um dia distante se perdera de vista, torno-me a visitar as minhas recordações, minhas lembranças.

Em minhas costas persiste o peso da calmaria, candidez persistente, que me angustia e me maltrata.
Solitariamente só, assim estou, assim eu sou.

A esperança é adiada a todo o instante, nos olhares alheios que ficam alheios aos meus, desviando-se, sem qualquer tipo de contato.
Vida de falsas esperanças que são quebradas como cristais ao chão, sendo espalhados os seus cacos por toda parte.

Sensação de ter perdido algo sem nunca realmente ter conquistado.
Puro engano, puro como o som do único silêncio, o das minhas palavras que se calaram.

Rostos se viram quando a minha face lhes é exposta, enojam-se de mim, procuram manter a distância, é bem melhor, assim eles pensam.

Nas esquinas vejo os carros correndo de um lado para o outro, freneticamente, invariavelmente.
Torno-me impotente, não sei por onde começar.

Esses carros que trafegam de lá para cá, me impossibilita de atravessar, não me é concedida a passagem, sou um estrangeiro num mundo que renunciei.

As letras do antigo são transcritas com o suor de alguém que anda e anda, mas não sai do lugar.
Poema de uma poesia de vida, de ida e nunca mais voltou.

Pelas avenidas do mundo desconhecido hoje percorro ao som das músicas globalizadas, mas devido eu não ter me colocado a disposição do conhecer o novo, não consigo um entendimento perfeito do que acontece.

Antecedendo os meus sonhos, assim são as batidas desesperadas de meu coração.
Bate pela perfeição da criação.
Mulheres que têm como singulares seus nomes, marias de todos os nomes.

Marias do Carmo, dos anjos.
Maria de Deus e de mais ninguém.
Sutileza em seu terno nome.
Santidade em forma de mulher, mulheres.
Menina, pequeno raio de luz.
Luz que ilumina o coração dos menos afortunados, desesperados e descuidados.

Sonho de uma única noite, que nunca se concretiza, poetiza sem letras e palavras.
Poetisa do porto, da praia, das minhas noites em claro, nuvens que conhecem os meus segredos, pois vivo nelas.

Oh, estrelas que vi nascerem, que vi crescerem e que também as vi indo embora.
Estrelas cadentes, nascentes.
Estrelas indecentes, desejo de serem amadas.
Estrelas da noite, simplesmente.
Prosa incompleta, incorreta, sou e estou sem seu brilhar, as nuvens de meus pensamentos impedem de vê-las, pois são muitas.
Brilhos que se foram, juntamente com o olhar da estrela de ontem.
Celso Ricardo 18/08/05 – 20/08/05


Estruturas que um dia eu já estudei, raízes que um dia já cultivei no quadrado de minha vida.
Abstenho-me de meus desejos mais secreto em busca da solução exata, mas que pena, não consigo encontrar a fórmula.

Qual será a fórmula perfeita?
Se é que existe.
Procuro todas as respostas nos infinitos livros, teorias são jogadas ao espaço que sobrou em meu peito, coração calado.

Não há expressão que consiga decifrar as suas formas, sou apenas uma base menor que é divisional à duas partes.
Mas se a parte maior for somada, transforma-se na fórmula completa,

Trapézio de meu equilíbrio.
Circulo por todo canto da terra, percorrendo seu raio e em sua circunferência, não me vejo.
Elevo-me ao quadrado pela insana busca.








Celso Ricardo 18/08/05 – 20/08/05

Como ser um líder

Enganam-se em muito, os que pensam que um bom líder deve ser o especialista em uma determinada área, pois é notório ver exemplos que demonstram o contrário, funcionários que desempenham com tamanha destreza as suas tarefas individuais, sendo considerados exímios operadores de máquinas, técnicos em informática, excelentes policiais, mas que ao serem postos em cargos que exijam um bom relacionamento interpessoal e de liderança, vê-se que literalmente emperram em seus pseudos-conhecimentos pragmáticos, os quais invariavelmente remetem a terem dificuldades de se relacionar em equipes, o poder inescrupuloso de dar ordens, de falar mais alto, tornando-os quase que insuportáveis.
Claro, haverá os que retrucarão com a seguinte frase: mas se não impor ao funcionário ele poderá montar em suas costas e fazer de você um sela para sair cavalgando, mas um líder tem como intuito a visão geral, a compreensão das diferenças entre as pessoas e acima de tudo o comprometimento com as diversas necessidades peculiarmente distribuídas entre as pessoas que integram uma equipe. Não deve de maneira alguma fazer com que as suas necessidades e quereres se sobrepujam indiferentemente do meio em que está inserido.
Por fim, ser firme com as palavras e atitudes não tem nada haver com a imposição de idéias retrógradas que dificultam um bom relacionamento, pois o segredo das chamadas novas corporações está no relacionamento interpessoal e não na distância da tirania.


Celso Ricardo R. Oliveira

Um dia eu aprendi




Um dia eu aprendi...

As marcas do tempo ontem me rasgaram o peito, me levando às lembranças de dias bons, dias de chuva e dias de sol, dias felizes que outrora passei junto a alguém que não existe mais.
As feridas se abriram para a saudade entrar, abriram-se para eu me desaguar em lágrimas que brotavam de dentro de mim sem cessar, sem parar, e o meu peito cada vez mais estreito se enchia de uma dor que sufocava e fazia com que o ar não fosse o suficiente para respirar, tentei por inúmeras vezes puxar esse ar com longos suspiros, mas em vão tentava, e cada vez ficava menor o meu peito, e mais comprimida era a minha respiração, e o que eu inspirava era somente o ar da saudade, e um pouco menor, um pouco mais, um pouco de tudo que faltou em um dia.
Doeu e ainda dói, não sei porque, mas mesmo com tudo isso, a tristeza não fez morada em meu coração, apenas uma saudade imensa que me invadiu o peito, invadiu os meus pensamentos e fui levado por eles para o sempre, para o nunca mais te verei.
Forcei para não demonstrar-me, até que por não poder mais segurar, elas me dominaram, sim, as lágrimas, as quais me purificaram depois de muito rolarem, depois de um período de catarze purificadora e Deus como sempre havia me mandado um anjo para cuidar de mim, me apoiar e durante todo um dia, esse anjo esteve me dando carinho, amor, afeto, me compreendendo e me tornando um pouco mais feliz.
Foi-se mais um dia em que cresci, em que pude focar a minha vida por um todo e sentir a presença de Deus.






Celso Ricardo R. Oliveira

Minha amada


Bom dia minha amada, ontem o meu coração queimou por dentro, não sei muito bem como lhe explicar isso, mas isso me fez e faz muito, muito feliz mesmo, e quando estávamos juntos ontem, eu pude contemplar em seu olhar um AMOR VERDADEIRO e posso afirmar que realmente você é a MULHER da minha vida, vi em teus olhos o reflexo da minha felicidade, que transpareceu juntamente com as lágrimas que de seus olhos rolaram uma chuva de palavras que dentro do meu coração se fizeram morada, se transformaram em algo concreto, solidificado em sonhos que estão se realizando, e quando de sua boca, espontaneamente ouvi a seguinte frase: “Se tudo o que passei, tudo o que aconteceu comigo, se tudo isso fosse algo necessário para te encontrar novamente e ser feliz contigo eu passaria tudo de novo”, pode ter a certeza se existia algo que me aprisionava ao passado, ou que eu temesse, tudo isso foi quebrado, tudo foi restituído, pois ouvi de ti, e pelas graças de Deus me senti junto de você por completo, sou o homem mais feliz do mundo e ti farei sim a mais mulher mais feliz do mundo, ou pelo menos farei o que estiver dentro das minhas possibilidades (contando com a ajuda de Deus).
Dani, te amar como eu te amo hoje, foi apenas um passo, e já não me vejo mais sem você em minha vida, (estou digitando e o meu coração continua em brasas, assim como os meus olhos, que teimam em não deixar que as lágrimas saiam, mas chegará o dia em que elas me deixarão, e neste dia tenho a certeza que a terei como minha auxiliadora, minha companheira, minha amada esposa, sim, esposa, pois vejo através da simples ação do tempo que nos conduziu a um momento ímpar e diferente em nossas vidas, que tudo isso vem se tornando real para nós dois, e pela força que isso nos vem acontecendo, as respostas e confirmações de Deus, das pessoas (que Deus coloca em nossos caminhos), tudo vem nos ajudando a nos unirmos, a termos uma vida conjunta e definitiva.
Estou tremendo agora, mas estou muito feliz, contente, com o peito cheio de amor que quer explodir de felicidade.
Daniele, eu te amo como jamais imaginei amar assim, e hoje orei para Deus nos abençoar.
Beijos minha amada, fica na paz de Deus.

Celso Ricardo R. Oliveira
Adm – Segurança Alphaville
4191 – 2300 ramal: 219

Um dia de delírio

Um dia de delírio.


Permaneci inerte na minha reflexão através do meu tempo tentando buscar algumas respostas sobre a razão de minha vida, porém só o que me veio foi mais dúvida ainda.
Tentei achá-las nas palavras da razão de Pascal, mas o que ele me respondeu foi à simplicidade de uma razão que a minha própria razão desconhece e ele ainda a chamou de minha emoção, pois bem, mesmo assim lutei contra as sombras da caverna de Platão, busquei o tangível e o inteligível, mistura ótima, mas que me rendeu ainda um quinhão de incógnitas, saí à procura da verdade no mundo a fora, mas a caverna me parecia mais confiável, mesmo assim continuei, caminhei até a sua República, onde lá encontrei um sistema que me ditava o que e como fazer-me um cidadão, mas para ser sincero, não me alegrei com o que presenciei.
Eu voei para a política aristotélica, cruzei as raízes quadradas e hipotéticas das hipotenusas de Pitágoras, porém fui lançado à exatidão da lógica do mesmo Aristóteles que antes era pupilo de Platão, mas que com o seu conhecimento se tornou prepotente a tal ponto que contrapôs o seu próprio mestre, é, como me decepcionei com tudo o que vi. É sim, o que vi, eu lembro que um cara com grandes barbas, falava pelas ruas de uma Grécia Antiga para podermos conhecer a nós mesmos, e ao mesmo tempo dizia que só sabia o que não sabia, e dizia que tudo isso era decorrente de conselhos dados através de um oráculo, de Delfos, antecedendo frases célebres do Mestre Messias: Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará, Cristo era o nome, ou melhor, é o nome do prenunciador de tantas palavras mágicas, mas que o tempo o tornou servo concernente a uma religião fanática com uma incorpórea valorização capitalizada.
E nos livros sagrados encontrei sombras de uma verdade que diante de fatos se fazem reais, escritos reais, mas que na avareza de uma sociedade acha-se colunas para pensamentos ignotos, pois o cristianismo procurava um sistema socialista em comum para todos, sejamos nós irmãos uns dos outros, nos amemos. Mas por deturpada interpretação da obra marxista, um tal de Lenin com o seu comparsa Stalin, este sem escrúpulos, sem me esquecer de Trotisk, buscou um país comunista na sua pobreza, ridicularizando sonhos e realidades de milhões de seres humanos, só para satisfação dos seus egos. Assustei-me em lembrar das correntes de pensamentos da "Santa Igreja Católica", a qual utilizou-se de métodos não menos deploráveis dos usados por Stalin, e viu que o poder era bom, com os olhos voltados somente para a soberba, protagonizou um dos capítulos mais cruéis da história da humanidade, que através de uma inquisição de poder, sustentava sua luxúria e o descaso em troca de indulgências meramente trocáveis.
Vários foram às razões em que me entristeci em acompanhar pela minha memória, daí não me contive, fui a lágrimas, as quais não cessaram por longos minutos, mas eu tentei continuar por minha longa viagem de meus pensamentos, estes que eram os únicos artifícios permitidos pelo Sumo Pontífice, pois não eram mensuráveis e na estrada caminhada pela minha razão fui rasgado emocionalmente no momento em que lembrei do que eles eram capazes de fazer em nome de Deus, trocar indulgências para salvação de almas, que num purgatório permanecem à espera se purgando dos seus pequenos delitos cometidos aqui na terra, mas que com o findar de um certo tempo são limpos e purificados ou acometidos por serem retirados por orações, missas ou indulgências pagas para remissão de tais pecados, criação de lugares escuros e sinistros para crianças que morriam sem serem batizadas ou nasciam mortas, um tal de Limbo foi inserido a fim de arrecadar verbas para o poderio do clero, rezas (santas missas) em pró de almas que se foram desse mundo, mas que através de mais rezas de novenas e posteriormente diminuídas em um terço para resgatar almas que não foram para o paraíso, missa do sétimo dia cobrada, indulgências para remissão de pecados de diversos tipos, onde o que vale é aquele que tem mais poder financeiro, assim pode ter parte de seus pecados perdoados, ou todos. Então eu me perguntei: Que Deus permite tantas atrocidades quanto a estas? Será mesmo que é em nome de Deus, ou em nome do meu deus (poder) que tudo isso é permissível?
Fiquei frustrado e enraivecido em me lembrar de tudo isso, mas por conta de um luterano de nome Martinho, quis ir contra tais preceitos estabelecidos por um dogma irrepreensível por conta das autoridades celestiais, e em 95 teses, estabeleceu-se um rompimento dos intocáveis paradigmas, salvação para o mundo, protestantismo já! Mas que pena, tudo isso só resultou por conta de questões de poder, pois o Salvador já havia religado o homem com Deus, mas o próprio homem tomou em suas mãos a espada e saiu pelas ruas a fim de realizar a separação a ferro e fogo, a sua Guerra Santa, mataremos e destruiremos em nome de Deus, de Alá ou de quem quer que seja, não importa, o que interessa é a anarquia em pró de alguma coisa, que só no fim nos será revelado, assim foi o pensamento retrógrado destes pobres infelizes.
Oh! Pureza de meus pensamentos, por onde você tem me levado? Pensamentos só porque eu existo, é isso Descartes? Não sei, pois existem anjos e santos para todos os tipos de gostos e ocasiões, todos eles fielmente elaborados para cada situação.
Não quero mais ver tantas coisas ruins, isso me machuca e me faz tão mal.
É, eu vivi muitos amores, e de amor em amor, fiquei preso no labirinto dos meus conhecimentos ou dos meus delírios, estes que voam em busca de um amor perfeito, infinito, que dure para sempre e que me faça sorrir e correr atrás dele com toda a minha atenção, com o meu zelo, que dessa forma me deixa sorrir o riso e chorar o meu pranto, do amor (que tive - terei), mas que numa esfera de emoções, me transforma no amador, que dantes era a pessoa amada, assim me ensinou Camões, lusitanos que nos deu uma linguagem, mas que não freou o desenvolvimento de uma língua viva, miscigenada e rústica, só falada num país como o nosso, que se modificou a ponto de se transformar em uma língua à parte do mundo.
Renasceu dentro de mim através de meus pensamentos o que outrora houvera renascido em um período iluminado pelo conhecimento, e dentro de uma literatura fui buscar a de Thomas Mores na Utopia de seus pensamentos, lugar e sistema ideal para a humanidade, talvez uma releitura de A política de Platão, mas que por fim o Thomas Mores foi condenado pela Santa Igreja à morte, mas que anos depois foi canonizado Santo da Inglaterra, nem mesmo eu que sou muito louco poderia entender tal rota de vida e morte, mas... Tudo isso me serviu para um acúmulo de idéias, as quais me moldaram, possibilitando-me um conceito ímpar perante a sociedade, os fins justificam os meios, mas cuidado, não sejais liberais, tampouco, parcimônicos, pois o Maquiavélico pensamento está à deriva da raiz do mundo, nem mesmo Eros de Shakspeare acertaria meu coração, o cupido as vezes se torna culpado por erros irreparáveis.
Subi os meus olhos, e vi somente lamentos e rangeres de dentes, sendo estes por raiva, por fome, por culpa ou por qualquer outra coisa que seja, é, infelizmente enxerguei o inferno de Danti, com os seus dez estágios, loucura, só poderia ser um elogio à loucura de Erasmo de Roterdan.
Quincas Borba, Brás Cubas, Rubião, Helena, todo mundo num mundo machadiano dizia Assis com seu amigo literato Lobato, ou Cassiano Ricardo, ou Fernando Pessoa, ou Nelson Rodrigues, ou outro maior.
Fui à procura de algo maior, talvez um pensamento liberto de preconceitos, mas nem mesmo Friedrich Nietzsche me impressionou, aliás, me impressionou sim o modo em que ele me apresentou o seus pensamentos, todos sendo irritantemente pessimistas e preso à uma loucura por tentar se desprender de conceitos pré estabelecidos, porém o que notei foi um cara que criou uma antítese de uma tese cristianística. É, os fins justificam os meios, mas que meios eu me pergunto, para quê tentar desvendar tantos códigos, sejam eles de Da Vinci, de genoma, código de justiça ou tratados os quais apenas fortalecem os conhecimentos humanamente mesquinhos?
Mesmo eu tentando achar dentro de mim a resposta de meus medos, nem Sigmund Freud com sua teoria psicanalítica me conduziu a uma resposta conclusiva sobre a razão pura, mesmo eu querendo encontrar o Id, o Ego e o Superego através da minha catarse diária, catarse esta que na antigüidade grega, Aristóteles já havia mencionado, mas que o meu consciente não me respondeu, lutei pelas lembranças da minha vida e inconscientemente me lancei ao meu subconsciente, e assim me vi em minha redoma de tristezas e medos de criança, porém enxerguei a verdadeira felicidade e pureza do que eu era feito, do que já fui feito.
Mas alguém conseguiu me alegrar, mesmo que essa alegria permanecesse dentro de mim por apenas alguns instantes, relativamente no que se refere ao meu tempo e espaço, absolutamente, ele me ensinou a usar as leis da física quântica, seus elementos e a energia proveniente dos meus pensamentos, me introduziu um pensamento que se materializa, colocando-se como um ícone dentro da história, a Quarta dimensão foi-me apresentada, os meus pensamentos se opuseram aos paradigmas existencialistas inevitáveis de uma sociedade fadada à incoerência abrupta sobre a razão real, Albert ou Einstein, não importa, o que realmente é relevante é o fato de que ele se apresentou de forma concreta num momento de abstração em sua plenitude, esta que se fez carente ao lembrar da fraqueza de um homem, ou melhor, de um rato de esgoto, me faz até mal em só pensar na história que tal monstro causou por conta de sua insanidade.
Adolfo Hitler, nacional socialista, esse cara superou Stalin com sua crueldade absurda, tentei me livrar de tais pensamentos insanos que ele me provocou, mas foi em vão, até nas minhas lembranças ele quis se apossar e instituir um pensamento análogo e único sobre tudo e todos. Eu até gostaria de falar mais sobre essa história, mas estou enjoado enojado em me lembrar das atrocidades, injustiças e covardia acometido em tempos tão contemporâneos a nós, igualmente me cresceu a vergonha agora vinculada aos meus sentimentos, por ter-me lembrado da escravidão, e lá dos Palmares eu olhei tudo negro, a raça humana dividida em preto e branco, por conta da supremacia de um povo inferiorizado no que se refere ao humanismo. Por fim eu parei, não vou mais me maltratar, quem me dera ao menos uma vez, assim eu escutei, se eu estivesse em um pesadelo, então saberia que no findar da noite viria um dia de Sol, que pena que não é assim, que pena... .
Fui à vastidão profunda de meus sonhos, encontrei-me a mim mesmo quando criança, e lá de dentro presenciei a verdadeira antagonia de minha alegria, pois eu vi que o mundo era somente o que se passava sobre os meus olhos, o meu mundo acabava bem ali, atrás do horizonte e depois, havia um imenso abismo, escuro, talvez significasse a falta do meu conhecimento de causa, talvez. Mas depois percebi que atrás do fim vem sempre o começo e este vai começar a ser novamente o fim.
É, bem sei que quando cometemos uma força, essa mesma força provoca uma reação, bem como a força da gravidade é algo hoje natural, mas o que dizer de homens como Isaac Newton, um gênio das descobertas, esse cara mesmo que pensou ser um escolhido por Deus, se viu como a reencarnarão de Elias, mas que por culpa de sua loucura, não conseguiu transpor um obstáculo que o separava dos outros animais, ele não conseguiu manter-se longe da prepotência de seu conhecimento, tornando-se cativo das suas próprias descobertas, sendo encoberto pelas facetas da vida.
Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas, isso eu ouvi, e do silêncio ecoava esse grito, mas para que ouvir se não se pode agir? Ou é possível?
Van Gogh, Pablo Picasso, Tarsila de Amaral, de Sobral, de Cachoeira de Itapemirim ou de qualquer Volta Redonda neste mundo, não importa, só o que realmente me traz conforto é através de uma arte descompromissada com regras e gostos, pois esses caras aí em cima me ajudaram a desvendar sonhos, mesmos que esses sonhos fossem surrealista de um tal de Salvador Dali, mas queria que fosse daqui, daqui de dentro do meu peito, este que explode de alegria quando sou tocado pela magia das artes, sejam escritas, pintadas ou encenadas, sou guiado pelo devaneio abstrativo duma corrente de pensamentos, os quais eu mesmo não os decifro. Puro e insano, leve e ousado, curado por uma doença que me afeta a mente, a minha paixão pela arte.


Celso Ricardo
24/09/2006 14:20h

Cálida brisa passional de um metamomento

Cálida brisa passional de um metamomento


Comecei num simples pensar, ou melhor, num devaneio de um pensamento abstrato que ultrapassou as barreiras do real, do irreal, não houve conjugação nem tampouco estilo. Discorria nas falhas do cotidiano, a dúvida me levou para lugares distintos, momentos estava no abismo invisível da solidão, outros na solidez concisa de um velho abrupto corrupto dos meus pensamentos medíocres, dilacerados pelo tempo.
Continuei na comoção dos meus sentidos, impulsionados racionalmente pelo irracional, loucamente sábio, ferozmente manso, intensamente só.
Reprimindo-me demasiadamente em busca da apaziguadora dor, a calma persiste no impulso e pulso e batidas descompassadas do inconsciente, submergidos ao completo absurdo da realização egoísta, desrespeitosamente delirante.
Alquimista mórbido, incapaz de insubordinar-me aos caprichos dum ínfimo sentimento, sou e estou sendo aprisionado pelo fogo ardente da desilusão.
O inconsciente me conduz a um silogismo desajustado, com palavras sem significados, desritimadas incompreensivelmente, absurdas, confusas... Confuso, assim me encontro, aliás, pelo contrário, o fato de não poder me encontrar é que me faz angustiado, amargurado, desordenado, um caco.
Pedaços de mim são espalhados ao vento, que é forte, balanço de um lado para outro, sou violentamente atacado pelo vento,
Sofro conscientemente sustentando esse sofrer.
O padecer do retilíneo subconsciente, contextualizando a petrificação das lembranças de algo que nega se esvaecer, esvair-se de mim.
A prisão involuntária e consentida pelos meus sentidos me traduz na mais complexa e simples criatura.
Sem razão
Sem a paixão
A sós com a solidão.


Celso Ricardo

Dia dos pais

Pensei em fazer-te um poema papai, mas nunca imaginei na extrema dificuldade encontrada para descrever-ti, vejo que tua vida é um poema difícil de ser composto e nós, simples filhos, nunca conseguiremos te traduzir, tampouco te inscrever num único texto.
Tu és tão complexo que em meio a sua simplicidade que nos impossibilita encontrar uma equação exata para a sua fórmula.
Quando olho para ti, vislumbro os calos de suas mãos que contam histórias de enxadas, de enfados, de tantos outros labores que ultrajam na linda composição de uma vida entregue a uma causa, sem ter tempo para o cansaço, para o descuidado, somente o direito de desfrutar o sabor de ser pai.
E caminhando pelos campos e vales da vida; e histórias de chinelos, ou descalço que seja, falando uma linguagem complexa, que nós filhos não entendemos, mas compreendemos por que o amamos.
Também vejo os calos dos joelhos, que contam as mesmas histórias humildes de horas silenciosas ao se debruçar para estar presente no lar, presenciando o crescimento de uma família e a realização de um sonho, de amor, de amar...
Deparo-me ao ver as rugas da fronte que falam das rugas da alma como sulcos da terra que as chuvas abriram, mas que o tempo o fez ainda mais forte, experiente, o fez um pai, meu pai que Deus me deu.
Mas nada há de ser comparado ao sentimento que tenho por ti, pois Deus me fez seu filho, e essa dádiva é simplesmente inexplicável.
Amo-te meu pai, pois contigo aprendi a caminhar e ser o que sou hoje.
Por ti sou grato, e para ti entrego o meu coração.
Parabéns papai, parabéns meu pai.

Celso Ricardo

Sou eu

O pulo


Fico a olhar para os lados procurando respostas para as minhas perguntas que ainda não foram feitas. O infinito, se é que existe, é o meu passa tempo preferido.
Busco no olhar ao longe, bem lá na linha do horizonte algum tipo de visão, qualquer que seja, não importa, é o que penso, que vejo, ou o que somente quero ver...não importa, sou eu.



A luz resplandeceu em meus olhos, ofuscando minha visão, ela vinha com todo ímpeto, incidindo diretamente em minha retina, fechei os olhos, pois me incomodava muito, com isso percebi algo diferente, que as vezes é necessário não enxerguemos certas situações para sermos poupados de sofrimentos posteriores, não é uma fuga não, é apenas uma questão de atitude, de escolha, de reflexão.



O caótico se incorporou definitivamente em nossas vidas, apoderando-se literalmente de nossa liberdade , condicionando-nos a um estágio de involuntária submissão.
Os nossos sonhos ?
Nossos desejos ?
Somos apenas um gozo fétido expelido pelo demoníaco capitalismo selvagem, egoistamente autoritário, que nos impede de aferirmos com nossas próprias medidas.
Nossas causas !
Que causas ?
Somos extirpados da importância inerente e eloqüente de uma consciência sensata.
Puramente excludente.
Somos negados de nossos direitos.
Pensando bem, nunca o possuimos mesmo.



É preciso falar, esbravejar, gritar, “aloprar”, desritimar, descentralizar, destruir todas e quaisquer ordens.
É preciso desobedecer, enraivecer, enlouquecer, se entorpecer com seu próprio devaneio.
É preciso destruir, extrair, concluir, partir, repartir o homogêneo.
É preciso dispor, pôr, impor, sentir dor com suas escolhas.
Eu.

Desabafar

Desabafar


Que o desejo enorme de descavar o inconsciente e desenrolar o desejoso desentendimento do descaso.
De narrar o desequilíbrio do despertar do dia que desprende-se do horizonte o desencadear matinal, descarrila as horas desajustadas em relação ao tempo que, ao desencontrar com o desarranjo desabrochante da timidez desafinada, desafia o descabido desejo do desapego.
O controle de nossas mentes são desenhadas no decorrer do dia, designando-nos a desfrutar do descaso desumano e desmoralizador da desordem consentida por mentores desequilibrados, que nos desgovernam e nos desintegra, aumentando a nudez desleal da desigualdade.
A desonra persiste no despencar da noite nebulosa, desmantelando a ordem ética e eficaz, descreditando a classificação urbana, roubando a estima e trazendo consigo o desencanto do findar de um desgastante dia.

Celso Oliveira.

Ser sem ser

Ser sem ser


Tirei as virgulas
Quebrei as regras
Rompi com as barreiras
Os pontos se foram
Juntamente com a composição
Compostas de letras e palavras e frases
Com sons
Que pareciam barulhos
Ruídos
Eram gritos
Todos sem ritmos
Eles ecoavam no vazio intrínseco do livre pensamento
Sem as virgulas sem os pontos
Tudo todos unidos
Ferozmente temidos
Ambiciosamente delirantes
Letras sem regras desgastantes
Destituindo-se da razão
Febre incólume
Cálida irracionalidade
De uma canção sensata
Dum pensamento passional
Uma caneta abstrata
Inanimada
Um poema emocional
Buscando incessantemente o interno
O livre
A liberdade


Celso Oliveira