A insegurança me seguiu desde o amanhecer de mais um Domingo, porém, este de uma maneira especial.
Com o abrir dos olhos, me veio àquela duradoura imagem, insistentemente duradoura.
Percorre os lentos segundos que antecedem o momento do reencontro, vou me remoendo por inteiro, por dentro, não consigo não pensar.
Não pensar NELA.
Vou dando seguimento ao rotineiro dia de Domingo, só que agora acompanhado pela inseparável lembrança, de como éramos, qual a forma que conversávamos e, até viajando nas prerrogativas de um possível futuro.
O fim da tarde se aproxima, trazendo consigo o momento de revê-la.
Chega o fim de mais um dia de trabalho e inicia a caminhada que antes me era tão habitual, mas que nesse momento me trazia a mais sólida incerteza, são passos curtos, um após o outro, que somados deram todo o percurso, me aproximo, levanto a mão direita e com o indicador aperto o botão daquele novo aparelho de interfone, somente este aparelho que me era de diferente; o portão é aberto, sou recepcionado como um ilustre convidado, sou saudado com abraços e sorrisos pela amada experiência materna.
Vou adentrando pelo portão, pela porta e sou convidado a me sentar.
Olho ao meu redor; parece estar tudo em normalidade, mas ainda não a encontro. É desenrolada mais uma conversa comum com a famosa “ severidade” existente naquele lar.
Não percebo a hora que se passa, uma hora exata, quando aponta no portão, com passos lentos, repetindo o que outrora fiz, semelhança que em certos pontos nos aproxima até demais, um olhar, meu coração dispara, minhas mãos suam, sem contar o tremor, levanto-me e a cumprimento, um beijo no rosto, sete meses sem vê-la, sem tocá-la, sem beijá-la, mesmo que no rosto.
Começamos um assunto só com perguntas e nada de respostas.
Demorou alguns instantes e fomos para um outro lugar, vou caminhando pelo corredor.
Fomos caminhando.
Nessa hora que se passa, não entramos em nenhum assunto que se relacionasse a nós dois.
Foi quando realmente iniciamos uma longa e interminável, não sei se foi uma conversa ou um monólogo.
Fui guiado pelo “instinto” dos sentidos, fui puro sentimento.
Coração.
Coragem e estupidez se confundiam no desabafar de minhas palavras, e ela só ouvidos, docilmente me ouvia, vez por outra me interrompia para dar sua opinião.
Eu a via cada vez mais em minha vida, mas... NÃO podia achar respostas nela.
Conversamos, conversamos muito, mas parece que não foi o necessário, nem pelo muito falar consegui me expressar.
Sonhos, desejos, impulsos, pulsos e num piscar de olhos, restava-me somente as velhas e inseparáveis lembranças, no banco do ônibus, cada vez mais me distanciando fisicamente, “fisicamente”.
Fisicamente da linda e bela imagem bipartida.
17/03/2005 Celso Oliveira
Com o abrir dos olhos, me veio àquela duradoura imagem, insistentemente duradoura.
Percorre os lentos segundos que antecedem o momento do reencontro, vou me remoendo por inteiro, por dentro, não consigo não pensar.
Não pensar NELA.
Vou dando seguimento ao rotineiro dia de Domingo, só que agora acompanhado pela inseparável lembrança, de como éramos, qual a forma que conversávamos e, até viajando nas prerrogativas de um possível futuro.
O fim da tarde se aproxima, trazendo consigo o momento de revê-la.
Chega o fim de mais um dia de trabalho e inicia a caminhada que antes me era tão habitual, mas que nesse momento me trazia a mais sólida incerteza, são passos curtos, um após o outro, que somados deram todo o percurso, me aproximo, levanto a mão direita e com o indicador aperto o botão daquele novo aparelho de interfone, somente este aparelho que me era de diferente; o portão é aberto, sou recepcionado como um ilustre convidado, sou saudado com abraços e sorrisos pela amada experiência materna.
Vou adentrando pelo portão, pela porta e sou convidado a me sentar.
Olho ao meu redor; parece estar tudo em normalidade, mas ainda não a encontro. É desenrolada mais uma conversa comum com a famosa “ severidade” existente naquele lar.
Não percebo a hora que se passa, uma hora exata, quando aponta no portão, com passos lentos, repetindo o que outrora fiz, semelhança que em certos pontos nos aproxima até demais, um olhar, meu coração dispara, minhas mãos suam, sem contar o tremor, levanto-me e a cumprimento, um beijo no rosto, sete meses sem vê-la, sem tocá-la, sem beijá-la, mesmo que no rosto.
Começamos um assunto só com perguntas e nada de respostas.
Demorou alguns instantes e fomos para um outro lugar, vou caminhando pelo corredor.
Fomos caminhando.
Nessa hora que se passa, não entramos em nenhum assunto que se relacionasse a nós dois.
Foi quando realmente iniciamos uma longa e interminável, não sei se foi uma conversa ou um monólogo.
Fui guiado pelo “instinto” dos sentidos, fui puro sentimento.
Coração.
Coragem e estupidez se confundiam no desabafar de minhas palavras, e ela só ouvidos, docilmente me ouvia, vez por outra me interrompia para dar sua opinião.
Eu a via cada vez mais em minha vida, mas... NÃO podia achar respostas nela.
Conversamos, conversamos muito, mas parece que não foi o necessário, nem pelo muito falar consegui me expressar.
Sonhos, desejos, impulsos, pulsos e num piscar de olhos, restava-me somente as velhas e inseparáveis lembranças, no banco do ônibus, cada vez mais me distanciando fisicamente, “fisicamente”.
Fisicamente da linda e bela imagem bipartida.
17/03/2005 Celso Oliveira
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