sábado, 22 de setembro de 2007

O verdadeiro amor

E em cada pegada cravada neste árido chão, há uma lacuna que esmaga o espaço incompleto, e em cada vão momento, fica mais fácil eu precisar da tua presença.
O viver, o sonhar, o entender se confundem nas nuvens que tomaram conta dos meus pensamentos, multifacetando-os pela causa inexplicada. O não saber, mesmo na confiança da minha certeza de não ti ter.
E a voz que clama dentro do peito não quer se calar, nas raízes de um longo sonho, que me maltrata e satisfatoriamente ilumina-me em busca de um sorriso que seja, dum sonho apenas, no meu sonho.
E o coração se faz singular aos sons das músicas, na arritmia descompassada bate pelo teu nome.
E tudo me é luz, e nada me são trevas, e na verdade de um sorriso, do seu sorriso, sobre muito eu quero me lembrar, lembrar de você, de nós dois que ainda não somos, nem fomos...
Mas, num simples olhar, posso me transformar, me alegrar e não ter nunca mais a certeza do todo e do inexistente.
Se numa única lágrima há um sentimento, então tudo consegui encontrar, pois rios já se esvaíram-se de mim, de dentro.
E quando corro em busca, não vejo o que quero, pois o Sol se põe rápido e anoitece, e do calor que resta há somente seus poucos raios, que sofrem com a queda contínua da temperatura, sofro as rajadas do vento.
E o que se pode ser se na verdade não se é ?
Como acreditar no que se não pode duvidar ?
O mistério é minha única luz, única certeza, talvez em algum sonho te encontrar e me fartar de ti, me desmanchar na sólida mesmice de um desejo.
Você.

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