sábado, 22 de setembro de 2007

Primícias

Por vezes sinto-me na pura sombra,
De meus pensamentos, de meus sonhos, de minhas lembranças.
Essas que nunca me deixam.
São minha companhia.

Ah, sombras de um dia ser!

De meu ser.

Sou metade do que outrora já fui.
Metade de mim foi espalhado pelos caminhos da vida.

E que vida, pergunta infalível?

Nada é tão simples, quanto o que um dia eu senti por aquela pequena flor,
Flor dum jardim do mundo, mas que desse mundo perdi as chaves, já não pertenço mais a ele.

Eu percebo que está perto de anoitecer.

O dia.

Se vi, não consigo mais.
Paira uma penumbra sobre meus olhos.
Canções que nos fizeram deslizar pelo grande salão da vida.
Lembranças que não se findam.
Nuvens de desilusão, conquista mais difícil.

Diz apenas uma palavra!

É, não ouço.

Quem sabe? Algum dia? Talvez uma carta? Talvez.
Foi num abrir e fechar de meus olhos,
Foi como se eu com minha infinita ingenuidade quisesse juntar as águas com minhas próprias mãos, não cuidando de preparar um recipiente apropriado.
Você vazou pelos espaços de meus dedos!
Por mais que eu quisesse, não fui capaz de te segurar-te por muito tempo,
E para te perder foi questão de tempo.

Martírio dos meus sonhos, realidade de minha dor, razão irracional da falta que você me faz.
Seu sorriso, não consigo mais lembrar.

Nem a tua voz.

Muito menos o brilho no olhar.

Celso Ricardo
15/08/05

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