De hábito, estava eu naquele mesmo horário, realizando o mesmo trajeto de sempre - Eu dentro do coletivo do Himalaia viação Osasco - Em mais uma leitura de Shakespeare, Julieta era a personagem em pauta.
Momento que, em meio ao som costumeiro das buzinas e arranques dos veículos, lá bem distante uma imagem se aproximava, a princípio sem traços, que se misturava entre as pessoas, mas aos poucos fora se desvendando.
Seus olhos, cabelos e lábios eram visíveis agora.
Seu rosto por completo me foi mostrado.
Mas que em súbito movimento, a imagem levanta seu braço direito, e com ele erguido, segue-se alguns segundos, imagem inerte, fixada no tempo que naquele instante se tornara relativo.
Seu rosto, que de beleza inigualável, sofreu o impacto, fora transtornado, juntamente com seus sonhos que foram adiados, modificou-se por completo, num único momento, beleza e espanto se misturam, aglutinaram-se numa só pessoa, seus traços delicados são transformados em linhas grossas decorrentes de sua expressão.
Gradativamente a imagem se vai, distanciando-se novamente de mim.
Julieta que era minha leitura, distanciou-se de vez do personagem Romeu. Oh! Romeu, que nesta leitura transformou-se numa personagem secundária.
A minha leitura Shakespeareana interrompeu-se, meu trajeto foi concluído, restou-me apenas a imagem.
Risos internos brigavam para saírem de dentro de mim, mas me contive, foi mais um dia que algo me aconteceu, e percebi que o repentino causa-nos espanto, nos transforma, não há beleza que não seja interferida, nem mesmo a de Julieta.
Celso Ricardo R. Oliveira
Momento que, em meio ao som costumeiro das buzinas e arranques dos veículos, lá bem distante uma imagem se aproximava, a princípio sem traços, que se misturava entre as pessoas, mas aos poucos fora se desvendando.
Seus olhos, cabelos e lábios eram visíveis agora.
Seu rosto por completo me foi mostrado.
Mas que em súbito movimento, a imagem levanta seu braço direito, e com ele erguido, segue-se alguns segundos, imagem inerte, fixada no tempo que naquele instante se tornara relativo.
Seu rosto, que de beleza inigualável, sofreu o impacto, fora transtornado, juntamente com seus sonhos que foram adiados, modificou-se por completo, num único momento, beleza e espanto se misturam, aglutinaram-se numa só pessoa, seus traços delicados são transformados em linhas grossas decorrentes de sua expressão.
Gradativamente a imagem se vai, distanciando-se novamente de mim.
Julieta que era minha leitura, distanciou-se de vez do personagem Romeu. Oh! Romeu, que nesta leitura transformou-se numa personagem secundária.
A minha leitura Shakespeareana interrompeu-se, meu trajeto foi concluído, restou-me apenas a imagem.
Risos internos brigavam para saírem de dentro de mim, mas me contive, foi mais um dia que algo me aconteceu, e percebi que o repentino causa-nos espanto, nos transforma, não há beleza que não seja interferida, nem mesmo a de Julieta.
Celso Ricardo R. Oliveira
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