sábado, 22 de setembro de 2007

Enquanto durar

Fui pelo impulso.
Levado pelos devaneios dos sentidos.
Pés, mãos, olhos...
Mãos.
Estas que foram de encontro àquele que parecia um inanimado aparelho telefônico.
Os números foram teclados, um a um, um toque, dois, quatro, de repente...
- Alo!
- Alo.
Resposta de uma pessoa muito especial, “severamente” especial.
Os assuntos são desenrolados naturalmente.
A administração tornou-se o predileto.
Grande conteúdo foi extraído da severidade pertencente d’aquela experiência.
Em dado momento, tomou conta o silêncio e bem no fundo uma conversa, quase nítida, então ouço algo...
Outro alo.
- Alo!
- Alo.
Era ela.
Aquela voz, doce e linda e fascinante voz.
Sou levado pelos verbos na sua infinita conjugação.
O eu, é conjugado.
Eu sou com-julgado.
Vou sendo mansamente guiado pelas torrentes dos meus pensamentos, oscilando entre o abismo triunfante e a glória miserável.
O encanto é desencadeado pelos meus suspiros, sou guiado, transposto, transpassado.
Vou me esquecendo de esquecer.
Torno-me cativo da memória, minhas lembranças, do desejo imensurável de concretizar a realização de uma imagem bipartida.
Homogeneizá-la.
Uni-la.
Solidificá-la.



20:25h Celso Oliveira.

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